Dono de agência ligada a disparos em massa via WhatsApp deixa equipe de transição de Bolsonaro José Cruz / Agência Brasil/Agência Brasil

Foto: José Cruz / Agência Brasil / Agência Brasil

Nomeado oficialmente para integrar a equipe de transição do presidente eleito Jair Bolsonaro, o empresário Marco Aurélio Carvalho desistiu do cargo remunerado. A decisão foi anunciada na tarde desta quarta-feira (7), dois dias depois da publicação de seu nome no Diário Oficial da União, devido à repercussão negativa em torno de seu nome.

O empresário é dono da AM4, agência responsável pela campanha digital de Bolsonaro e citada no episódio dos disparos em massa de mensagens pelo Whatsapp contra Fernando Haddad (PT). Procurado pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Carvalho divulgou uma nota em que afirma que a decisão foi tomada por causa de "notícias publicadas na imprensa".

O nome do empresário foi um dos 28 publicados no Diário Oficial da União na segunda-feira (5) como parte da equipe de transição governamental e foi bastante comentado devido às suspeitas de irregularidade na campanha. A remuneração de Carvalho seria de R$ 9.926,60.

Ele chegou a participar de uma reunião na segunda, em Brasília, com os futuros ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, da Defesa, general Augusto Heleno, e da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes.

Relembre o caso

Reportagem da Folha de S.Paulo, publicada antes do segundo turno das eleições, apontou que empresários ligados a Bolsonaro impulsionaram disparos em massa por WhatsApp durante a campanha eleitoral, prática considerada ilegal, pois se trata de doação de campanha por empresas, vedada pela legislação eleitoral, e não declarada.

Na época da publicação da reportagem, a AM4 era a única prestadora de serviços de internet declarada na prestação de contas do candidato do PSL. Em 30 de outubro, a campanha apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) gasto adicional R$ 535 mil com a agência, o que tornou a empresa, até aquela ocasião, a maior prestadora de serviços da candidatura de Bolsonaro, com custo de R$ 650 mil.

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