Em carta, futuro ministro defende "valores tradicionais" na educação Facebook/Reprodução

Rodríguez critica o que chama de "instrumentalização ideológica da educação" e elogia o combate à "república dos favores"

Foto: Facebook / Reprodução

Anunciado como futuro ministro da Educação pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), o professor colombiano Ricardo Vélez Rodríguez divulgou uma carta nesta sexta-feira (23) em que fala sobre como pretende administrar a pasta a partir de janeiro.

Vélez Rodríguez diz que alinhará a gestão da educação no país a "valores caros à sociedade brasileira", classificada por ele como "conservadora e avessa a experiências que pretendem passar por cima de valores tradicionais ligados à preservação da família e da moral humanista".

Em mensagem distribuída à imprensa pela assessoria do ministro extraordinário Onyx Lorenzoni, o futuro titular do MEC elogia promessas de campanha de Bolsonaro, como o combate à "república dos favores", e critica o que chamou de "instrumentalização ideológica da educação".

Vélez Rodríguez destaca ainda que o país assiste a uma desvalorização da figura dos professores, especialmente no Ensino Fundamental e no Médio, e que essa situação deve ser revertida por meio de "uma política educacional que olhe para as pessoas".

O futuro ministro chega a citar o filósofo francês Alexis de Tocqueville, de pensamento liberal, para ressaltar a importância dos municípios no processo educacional. "Tocqueville frisava que o município é a escola primária da democracia", disse. "ê o município que deve ser o foco na organização da nossa legislação educacional", acrescentando uma das bandeiras de Bolsonaro: "Menos Brasília e mais Brasil".

Vélez Rodríguez foi anunciado na quinta-feira (22) para o MEC depois que a bancada evangélica vetou, na véspera, o educador Mozart Neves, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, para o cargo. De perfil técnico, Mozart chegou a ser convidado por Bolsonaro, mas a escolha provocou atrito com integrantes da Frente Parlamentar Evangélica, que faz parte da base de apoio do presidente eleito no Congresso. Para eles, Mozart não tinha "afinidade ideológica" com o novo governo. Pessoas próximas do educador Mozart disseram que ele não aprovava projetos como o Escola sem Partido.

O ministro indicado diz no texto que o seu desejo "é cumprir a contento" o ideal proposto por Bolsonaro e finaliza a mensagem com a saudação de campanha do presidente eleito: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

Leia também:

 Em blog, novo ministro da Educação diz que golpe de 1964 é "uma data para lembrar e comemorar"

 Entenda o que preveem as seis PECs de Bolsonaro

 Guedes diz que criará Secretaria de Privatizações e nega aumento de impostos

 Veja também
 
 Comente essa história