Encontro da Negritude Catarinense ocorre neste domingo em Florianópolis Jessica Michels/Divulgação

Marcha da Negritude Catarinense ocorreu em novembro de 2016, nas ruas da Capital

Foto: Jessica Michels / Divulgação

"Numa sociedade racista não basta não ser racista, é necessário ser antirracista". A frase atribuída à filósofa norte-americana Angela Davis, militante da luta antirracista estadunidense, exemplifica a temática do Encontro da Negritude Catarinense, que vai ocorrer neste domingo (11), em Florianópolis.

Seis pesquisadores irão se reunir no Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Santa Catarina (Sinjusc), localizado na região central da Ilha, para discutir temas como política, religião, cultura e africanidade. 

Adriana Ferreira, Jayro Pereira de Jesus, Jeruse Romão, Lorena Duarte, Jose Ribeiro e Yá Barbára foram convidados para debater no evento esses e outros assuntos relacionados à luta da população negra. Militantes do movimento negro de outras cidades catarinenses também estão sendo esperados para participar das atividades.

O encontro, que tem início às 9 horas, deve continuar ao longo da tarde, quando está prevista a formação de grupos com os participantes interessados nesses temas com o intuito de discutir os temas propostos de maneira mais aprofundada. 

De acordo com uma das organizadoras do evento, Tatiana Américo, a ideia do encontro surgiu da vontade de juntar a comunidade e a militância do Estado. Já a escolha pela data, segundo ela, foi motivada pelo fato de novembro ser o mês da Consciência Negra. 

Direito à vida

Tatiana ressalta também a importância de se debater o racismo estrutural no país, sobretudo nos dias atuais.

— Eu sou mulher negra, tenho 42 anos, a gente está sempre à margem por conta da cor. Quando a gente fala de gênero, é pior, porque tem o machismo junto — relata.

O Atlas da Violência, divulgado em 2017, apontou que a taxa de homicídio de mulheres negras cresceu 10,7% em Santa Catarina entre 2010 a 2015. Neste mesmo período, a taxa de homicídio de mulheres que não são negras caiu 21,9% no Estado.

Tatiana destaca também a segurança pública como outro tema importante de discussão.

—  Eu tenho um filho de seis anos, por isso tenho muita preocupação com esse discurso de ódio que se intensificou. Ele já existia, mas é como se tivesse cada vez mais aflorando e ganhando mais força. Tenho muito medo, como mãe de um menino negro, que daqui a pouco vai ser um jovem negro. A gente sabe quem é que morre, a gente sabe quem é que tá na linha de frente, mesmo que meu filho não tenha envolvimento com nenhum crime, com droga ou tráfico, ele é o alvo — completa.

A taxa de pessoas negras vítimas de homicídio em Santa Catarina cresceu 50,7% entre 2005 a 2015 de acordo com o Atlas da Violência. Somente entre 2014 e 2015, o aumento foi de 37,4%. Em âmbito nacional, o índice subiu 18,8%.

Proporção de vítimas de homicídio é quase duas vezes maior entre os negros em SC

O homicídio de pessoas que não são negras, no entanto, teve um crescimento de 38,6% de 2005 a 2015 e queda de 1,1% entre 2014 e 2015 no Estado. No Brasil, esse número caiu 25% entre 2010 e 2015. 

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