PF faz operação contra tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro em Tijucas Lucas Correia/Agencia RBS

Um total de 811 quilos de cocaína foram apreendidos no terminal portuário de Navegantes em maio de 2016, dentro de blocos de granito

Foto: Lucas Correia / Agencia RBS

Um mandado de busca e apreensão está sendo cumprido na manhã desta quinta-feira (29) no município de Tijucas, na Grande Florianópolis, resultado de uma operação de combate ao tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional. Outros 39 endereços localizados em municípios do Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás são alvos de mandados desta natureza. Estão sendo cumpridos também 21 mandados de prisão nos cinco estados.

O pagamento das transações ilícitas era realizado no exterior por doleiros estabelecidos em São Paulo. Até o momento, seis deles foram presos no estado paulista, cinco preventivamente e um de maneira temporária. Em uma das buscas, foram encontrados pelo menos 300 mil dólares dentro de uma máquina de lavar segundo informações do G1 RS.

A investigação apontou que a droga ingressava no Brasil em pequenos aviões para, posteriormente, ser enviada à Europa por meio de portos brasileiros. O pagamento das transações ilícitas era realizado no exterior por doleiros estabelecidos em São Paulo conforme o órgão.

Uma das apreensões foi realizada no terminal portuário de Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, em maio de 2016. Um total de 811 quilos da droga foram encontrados em blocos de granito, dentro de contêineres que seriam despachados para a Espanha. 

Até o momento, conforme informações da Polícia Federal do RS, foi possível comprovar o volume de 2,2 toneladas de cocaína enviadas ou que seriam despachadas do Brasil para a Europa pelo grupo criminoso. Aproximadamente R$1,4 bilhão foram movimentados nos últimos três anos pela instituição financeira clandestina.

A Operação Planum, realizada pela Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil, cumpre também ordens judiciais para sequestro e bloqueio de imóveis, fazendas, aeronaves, embarcações, veículos e contas bancárias, estimados em mais de 25 milhões de reais de acordo com a Polícia Federal gaúcha. Os crimes investigados são organização criminosa, tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico de drogas, operação de instituição financeira sem a devida autorização, operação de câmbio não autorizada e lavagem de dinheiro.

Esquema

A partir de investigações realizadas desde a instauração do inquérito policial, em junho de 2017, para apurar o envio de cocaína da Bolívia para o Rio Grande do Sul, foi identificado que aviões partiam de Mato Grosso do Sul para serem carregados com 500 quilos cocaína, em média, na Bolívia.

Posteriormente, as aeronaves seguiam até o estado gaúcho e pousavam em fazendas adquiridas pela organização criminosa de acordo com a PF. Em seguida, a droga era transportada para outros estados, por via rodoviária, onde ficavam armazenadas em depósitos até serem despachadas para a Europa por meio de portos brasileiros. 

Apreensões

Além dos 811 quilos de cocaína apreendida no terminal portuário de Navegantes em 2016, outros 448 quilos da droga foram localizados no dia 23 de junho deste ano em caminhão que trafegava no município de Unistalda, no Rio Grande do Sul. A quantidade estava dentro de um bloco de concreto.

Doleiros

A prisão de um narcotraficante e de investigados na Operação Planum em agosto de 2017 em Tramandaí, no RS, possibilitou o rastreamento do fluxo financeiro da organização criminosa, que indicou a utilização de doleiros em São Paulo para o pagamento das transações do tráfico de drogas no exterior. 

A partir da análise de dados bancários e fiscais dos investigados, e informações compartilhadas pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, a investigação apontou para um banco informal responsável pela lavagem de dinheiro oriundo de diversos crimes, além do tráfico de drogas, como contrabando e outros ilícitos.

Segundo a PF gaúcha, a movimentação dessa instituição financeira clandestina foi de aproximadamente 1,4 bilhão de reais nos últimos três anos. Cerca de 90 empresas de fachada e 70 pessoas empregadas como “laranjas” do grupo para a operacionalização da lavagem de dinheiro e operações de câmbio ilegais foram rastreadas pela polícia.

Mandados

Além de Tijucas, um total de 17 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos no Rio Grande Do Sul. Seis no município de Cachoeirinha, três em Uruguaiana, dois em Tramandaí, um em Capão do Cipó, um em Estância Velha, um em Gravataí, um em Itaqui, um em Novo Hamburgo e um em Palmares do Sul.

Doze estão sendo cumpridos em São Paulo, sendo seis na capital e outros seis no município de Limeira. Já no Mato Grosso do Sul, seis estão sendo cumpridos na capital Campo Grande, um no município de Fátima do Sul e um em Caarapó. Em Goiás, há um mandado para o município de Pirenópolis. 

Entre os mandados de sequestro e arresto de bens e bloqueio de contas bancárias, há um total de 13 imóveis, duas fazendas, 81 automóveis e caminhões, oito aeronaves, seis embarcações, 121 contas bancárias de pessoa jurídica e outras 57 contas de pessoa física. 

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