Quem é Késia Martins da Silva, a nova primeira-dama de SC Diorgenes Pandini/Diario Catarinense

Futura primeira-dama concedeu entrevista exclusiva para a NSC Comunicação na última quinta-feira

Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinense

"Quando ele recebeu o convite (para concorrer), disse que falaria comigo antes. Assim fez. Ele estava em Tubarão, eu em Florianópolis. No início eu disse 'não, né, que coisa louca!'. Depois amadurecemos a ideia e eu disse: ‘se tu resolver (aceitar), a gente abraça isso juntos'."

A conversa entre Késia Martins da Silva, 47 anos, e o marido Carlos Moisés da Silva ocorreu em meados de junho. Um mês e meio antes de 4 de agosto, dia em que o coronel da reserva dos Bombeiros foi oficializado pelo PSL como candidato ao governo do Estado.

— Pegou de surpresa. Ele nunca tinha participado de política. Nunca tinha sido filiado. Apesar de ter sido convidado outras vezes, nunca quis. Isso surpreendeu. Naquele momento ele tinha se colocado à disposição do partido. Mas só. Foi aquela surpresa inicial — revela Késia. 

De lá para cá, o marido virou governador eleito e ela, primeira-dama. As eleições 2018 ficaram marcadas na história. Na história catarinense, que despontou como um dos Estados com maior votação proporcional em favor de Jair Bolsonaro (PSL) e elegeu governador um novato dos mesmo partido. E na história da família Silva, que agora se prepara para dar início a uma nova e diferente rotina.

— O que ficou, não mais difícil, mas mais diferente, é a ausência dele. Agora fica muito tempo fora de casa, está sempre viajando. Antes fazíamos tudo juntos. Mas não é nada que tenha trazido nenhum incômodo — conta, lembrando que desde a eleição o marido não ficou um dia todo em casa.

Késia recebeu, com exclusividade, a reportagem da NSC Comunicação na manhã de quinta-feira. Calma, concedeu a primeira entrevista à imprensa. Pudera Késia estranhar a nova rotina. Afinal, no começo do ano completou duas décadas e meia que os dois trocaram alianças. A união entre a então professora infantil e o, na época, tenente do Corpo de Bombeiros ocorreu três anos após o início do namoro, em 1990.

— Fizemos 25 anos de casados em fevereiro e não teve como viajar por uma série de questões. Estávamos planejando uma viagem para a Itália no meio de 2018. Não deu, mas não tem problema. A gente adia mais um pouco — explica, sorrindo.

 Retratos da futura primeira-dama de SC, Késia Martins da Silva.
Casamento de Késia e MoisésFoto: Foto Vieira / Divulgação

Nascida em Imbituba, a filha do meio do seu Gentil e da dona Oseias (in memoriam), foi morar em Tubarão aos quatro anos. Na cidade ao sul de Santa Catarina, Késia começou a trabalhar e se aposentou há quatro anos. Formada em Pedagogia passou 26 anos em sala de aula – 20 focados na alfabetização. Lecionava para crianças do ensino fundamental. Sequer chegou a pensar em outra profissão que não a de professora. O exemplo veio de casa. A mãe foi orientadora educacional e também deu aulas na Unisul.

— Me identificava muito com todo aquele movimento de livros, cadernos, planejamento dentro de casa. Sempre gostei muito. O Moisés também deu aula, foi professor na Unisul e minha filha mais velha também já deu aula, foi professora de inglês. Está no sangue — brinca.

A paixão pelo ambiente escolar também alcançou, de certa forma, as duas filhas do casal, Raíssa, 23 anos, e a mais nova, Sarah, 19. Quando as meninas ainda eram crianças, Késia foi professora das duas. A mais velha quando estava na primeira série e a caçula, na quarta série:

— Os outros professores não entendiam como era especial para mim. Foi uma realização, sempre gostei muito de dar aula, eu tinha isso não como uma missão, mas uma satisfação muito grande. 

 Retratos da futura primeira-dama de SC, Késia Martins da Silva.
Késia e Moisés com as filhas Raíssa e SarahFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Tubarão também foi palco de mais um capítulo memorável na trajetória da mulher que será, a partir de janeiro, parceira do chefe de Estado. Foi pelo intermédio do irmão dela, Eder, hoje também militar da reserva, que Késia conheceu Moisés. Os dois eram da mesma turma do curso de formação de oficiais, então, nesses encontros acabaram se conhecendo. Casaram em 1993.

André, irmão caçula de Késia, também é militar. Sargento dos Bombeiros, é amigo de infância de Lucas Esmeraldino, presidente estadual do PSL. A professora aposentada e futura primeira-dama conta que, ao longo dos anos, o irmão e o amigo passaram a frequentar a casa dos Silva.

– Lucas começou a namorar a Aline, meu irmão também começou a namorar, estavam sempre juntos e acabavam parando lá em casa. Moisés se tornou amigo também. Essa convivência vem de muito tempo e, por conhecer o caráter do Moisés, Lucas acabou convidando ele para ser tesoureiro do partido – contextualiza Késia ao refutar a hipótese de ter sido o elo político do marido e, hoje, governador eleito.

 Retratos da futura primeira-dama de SC, Késia Martins da Silva.
Késia com o pai e os dois irmãosFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Foi em um dos salões de festa, o Espaço Jovem, com mesa de pingue-pongue e sinuca, do condomínio onde o casal aluga um apartamento no Bairro Itacorubi, em Florianópolis, que Késia aceitou conversar pela primeira vez depois que o marido foi eleito governador do Estado. O casal se mudou do Sul de SC para a Capital no começo deste ano para conseguir acompanhar de perto a filha mais nova, Sarah, que se prepara para o vestibular de Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 

Na entrevista, vestia uma bata de cor branca com delicados bordados na mesma tonalidade, jeans claro e calçava sandálias Anabela cor de caramelo. A maquiagem discreta, base, rímel e batom rosa claro, conversava com o par de pequenos brincos cor de pérola. Apesar disso, o rubor que subia pelo pescoço denunciava a estreia.

— Dá para notar? — pergunta em meio a um riso. Quando confirma que era a primeira entrevista: 

— Eu só tinha falado com o pessoal da campanha, mas a gente vai se acostumando com a ideia. Sempre fui muito, mas muito reservada — conta Késia.

Késia afirma que está preparada para ser primeira-dama, mas que não atribui glamour à atividade. Para ela, os Silva são uma família comum e essa essência, ela garante, seguirá imutável:

— Teremos uma vida diferente por conta da segurança, da exposição e por isso teremos que tomar alguns cuidados. A gente vê como um missão estar naquela posição durante quatro anos. A partir do momento em que ele assumir o governo as coisas começam a mudar com mais intensidade.

 Retratos da futura primeira-dama de SC, Késia Martins da Silva.
Késia foi morar em Tubarão quando tinha quatro anosFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

O fato de o estreante político Carlos Moisés estar no segundo turno, conta Késia, não surpreendeu aqueles que o acompanhavam de perto. Ela conta que havia a percepção que ele tinha mais votos do que as pesquisas de intenção de voto mostravam. A surpresa, na verdade, foi perceber que o marido estava disputando o primeiro lugar:

— Imaginei que ele fosse disputar o segundo lugar, que ele ficaria ali, voto a voto com o segundo. Mas ele disputou o primeiro. 

Diferentemente da ansiedade que pairava sobre o domingo do dia 7 de outubro, no fim de semana do dia 28 as coisas já estavam mais calmas. A família votou junto em Tubarão. Inclusive com a filha mais velha, Raíssa, que por conta do trabalho como assessora de promotor mora em Abelardo Luz. Voltaram para a Capital, onde permaneceram pelo resto do dia até o início da apuração.

— Foi um dia totalmente diferente para a gente, mas minha família é muito tranquila. Todos somos muito calmos — garantiu.

Acostumada com a calmaria da aposentadoria, a agora primeira-dama de Santa Catarina tinha a esperança que a semana que se anunciava seria de folga. A expectativa, no entanto, não condizia com a realidade e com a série de mudanças que (ainda) estão por vir:

— Eu tinha a ilusão de nós íamos tirar a primeira semana para descansar da correria da campanha, que a gente ia fazer algum passeio ou, no mínimo, se isolar. Ele já tinha essa noção de que ia ter que seguir trabalhando, mas foi inocência minha e, já no dia seguinte, teve ainda mais trabalho e coisas para fazer. 

 Retratos da futura primeira-dama de SC, Késia Martins da Silva.
O casal gosta de viajar Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

A principal mudança, ainda sem data prevista, será literalmente uma mudança. Carlos Moisés já anunciou que irá morar na residência oficial do governo do Estado, a Casa D’Agronômica. Késia diz nem saber ao certo como responder aos questionamentos que surgiram em torno desse tema nas últimas semana, pois não conhece essa outra realidade. 

— Precisamos ir para lá saber como funciona, saber da necessidade ou não de permanecer na Casa, para então tomar uma decisão mais assertiva. Decidimos que vamos, mas não sabemos como vai ser, nem por quanto tempo. Ainda não conheço a residência. Estou um pouco curiosa até para saber se a gente vai, de fato, se adequar ou se a Casa vai se adequar às nossas necessidades — comenta. 

Mesmo sem saber como será a vida cercada de segurança nas novas dependências, a versão Késia como futura primeira-dama já planeja como será a atuação na área social, função que, tradicionalmente, é abraçada pelas esposas de chefes do Executivo. O novo trabalho não será estranho para ela, que já tem na família a tradição de ações voluntárias.

— Minha mãe trabalhou muito tempo como voluntária em asilos, meus pais também trabalhavam com casais por nove anos. Meu sogro visitava presídios e minha sogra, hospitais. O servir sempre esteve muito presente em nossa família. Sei que muitas portas vão se abrir e que terei acesso a necessidades que muitas vezes a gente nem conhece — analisa, ao ressaltar que, se tiver oportunidade, até mesmo pela experiência que tem no magistério, gostaria de dar atenção para crianças. 

Por enquanto, a vida pacata do casal ganhará uma pausa, assim como os planos de viajar. Os próximos anos certamente serão diferentes, por exemplo, do ano passado, quando Moisés, Késia e a filha mais nova do casal moraram por três meses nos Estados Unidos. Os dois engataram um passeio por Minas Gerais logo em seguida e almejavam novas viagens pelo Brasil em breve. 

— Não posso responder o que vai ser daqui para frente, até porque em março nós tínhamos planos que foram modificados. Imagina daqui a quatro anos. Muita coisa pode acontecer. Hoje, nossa vontade é que realmente seja um mandato e que depois seja passado para um sucessor — deseja.

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