Quem são os ministros já confirmados no governo de Bolsonaro Hermínio Oliveira/ABR,Divulgação

Esplanada dos ministérios será renovada a partir de 2019

Foto: Hermínio Oliveira / ABR,Divulgação

Uma das principais ações apresentadas por Jair Bolsonaro (PSL) em relação à corrida deste ano ao Palácio do Planalto foi o compromisso em anunciar os nomes de seus futuros ministros antes de ser eleito. A ideia foi abandonada ainda na fase de pré-campanha. Segundo ele, alguns escolhidos para a Esplanada pediram para não ter o nome divulgado, por medo de retaliação.

Em um primeiro momento, quatro nomes do primeiro escalão foram confirmados. O economista Paulo Guedes ficará responsável pelo superministério que reunirá as funções da Fazenda e do Planejamento. A pasta também deve absorver a área de Indústria e Comércio Exterior. 

Na Casa Civil quem fará a interlocução do Planalto com o Legislativo será o deputado federal reeleito Onyx Lorenzoni (DEM-RS). O preferido do presidente eleito para a vaga de vice em sua chapa, general Augusto Heleno, ficará com a Defesa. A dobradinha não foi possível porque o então partido do oficial da reserva, o PRP, não se coligou com o PSL.

Na quinta-feira (1º), o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba Sergio Moro foi confirmado como ministro de uma nova pasta, que unirá Justiça, Segurança Pública e outros órgãos, como Corregedoria-Geral da União e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

Outro nome confirmado é o de Marcos Pontes para a área de Ciência e Tecnologia. Bolsonaro chegou a afirmar que o convite estava feito e só dependeria da vontade do astronauta em assumir o posto na Esplanada. Ele aceitou.

O sexto nome foi anunciado nesta quarta-feira (7): Tereza Cristina, deputada federal pelo DEM-MS, para o Ministério da Agricultura. Ela é presidente da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA), a chamada "bancada ruralista", que a sugeriu para o cargo.  Cristina é a primeira mulher a ser anunciada como parte da equipe do presidente eleito. 

Confira quem são os escolhidos por Bolsonaro até esta quarta-feira (7):

Casa Civil

Onyx Lorenzoni

 O deputado federal Onyx Lorenzoni acompanha senadores chilenos em visita ao candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, na Barra da Tujuca, Rio de Janeiro. (FOTO: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Onyx apoiou Bolsonaro desde o início da campanhaFoto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Deputado federal eleito para o quinto mandato, Onyx Lorenzoni recebeu mais de 183 mil votos neste ano, o segundo mais votado do Estado. Aos 64 anos, é médico veterinário formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e sócio de um hospital veterinário em Porto Alegre, onde atuou como clínico e cirurgião por 20 anos. 

Ingressou no PFL em 1997 e seguiu no partido após a troca de nome para DEM. Apesar da sigla não pertencer à aliança de Jair Bolsonaro, Onyx apoiou o capitão desde o início da campanha. No Congresso, foi o relator do projeto das 10 Medidas Contra a Corrupção, aprovado na Câmara e parado no Senado. Modificações feitas pelo parlamentar ao texto original, sem acordo com os colegas de plenário, causaram mal-estar. 

Apesar de defender a criminalização do caixa 2, admitiu ter recebido de forma irregular R$ 100 mil da JBS em 2014. Nenhum inquérito foi aberto para investigar o caso.

Economia

Paulo Guedes

Após polêmicas envolvendo recriação de imposto, Paulo Guedes visita Jair Bolsonaro no hospital
Guedes é um dos aliados mais próximos do capitão da reservaFoto: Reprodução / Twitter

Coordenador do plano econômico, é chamado de "Posto Ipiranga" pelo presidente eleito. Ficará à frente da Economia, que vai aglutinar as funções da Fazenda, do Planejamento e do Programa de Parceria de Investimentos. 

Com viés liberal, aposta na privatização de todas as estatais, o que poderia render cerca de R$ 1 trilhão, que seriam utilizados para abater a dívida pública. Promete zerar o déficit primário no primeiro ano de governo, a partir de mudanças na Previdência, nos gastos com juros e em despesas com pessoal. 

Durante a campanha, em evento com empresários, defendeu a criação de um imposto nos moldes da CPMF, além de alíquota única para o Imposto de Renda, sendo desmentido por Bolsonaro. Desde então, não falou mais. 

Guedes tem 69 anos e é PhD em economia pela Universidade de Chicago. A especulação no mercado financeiro é uma das marcas de sua trajetória. É um dos fundadores do Banco Pactual e do grupo BR Investimentos, hoje parte da Bozano Investimentos. Durante a campanha, virou alvo de investigação que vai apurar a suspeita de gestão fraudulenta em operações financeiras.

Justiça

Sergio Moro

 Brazilian Judge Sergio Moro gestures as he leaves the house of Brazilian President-elect Jair Bolsonaro after a meeting, in Rio de Janeiro, Brazil on November 1, 2018. - Anti-graft judge Moro accepted the justice minister post under Brazils Bolsonaro. (Photo by MAURO PIMENTEL / AFP)Editoria: POLLocal: Rio de JaneiroIndexador: MAURO PIMENTELSecao: politics (general)Fonte: AFPFotógrafo: STF
Sergio Moro aceitou convite para superministérioFoto: MAURO PIMENTEL / AFP

Natural de Maringá (PR), Sergio Fernando Moro, além de magistrado, é escritor e professor universitário. Graduado em Direito pela Universidade Estadual de Maringá, tem mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Paraná e é juiz federal desde 1996. 

Moro ficou famoso por condenar o ex-presidente Lula, quando liderava as pesquisas de opinião para a Presidência da República, a nove anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Em julho de 2017, o juiz ordenou a detenção do petista. 

 Agricultura

 Tereza Cristina 

Tereza Cristina (PSB-MG). Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados
Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Engenheira agrônoma e empresária, Tereza Cristina é presidente da FPA e tem uma longa trajetória no setor. Ela foi secretária de Desenvolvimento Agrário da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo de Mato Grosso do Sul durante o governo de André Puccinelli (MDB). 

Neste ano, Tereza Cristina foi uma das lideranças que defenderam a aprovação do Projeto de Lei 6.299, que flexibiliza as regras para fiscalização e aplicação de agrotóxicos no país.

Ciência e Tecnologia

Marcos Pontes

 PORTOALEGRE-RS--BR 21.08.2018Marcos Pontes, astronauta brasileiro na NASA.FOTÓGRAFO: TADEU VILANI AGÊNCIARBS
Pontes é mestre em engenharia de sistemasFoto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Primeiro sul-americano a ir para o espaço, Marcos Pontes, 55 anos, poderá ser mais um militar a integrar o primeiro escalão de Bolsonaro. Ex-piloto de caça, é mestre em engenharia de sistemas em Monterrey (EUA). Em 1998, foi selecionado para a Agência Espacial Brasileira por meio de concurso público. 

Em 2014, se candidatou a deputado estadual em São Paulo, mas não se elegeu. Filiado ao PSL, Pontes chegou a ser sondado como vice na chapa do capitão reformado. Setores militares criticam o nome do astronauta por ter se aposentado aos 43 anos para atuar na iniciativa privada.

 Gabinete de Segurança Institucional 

General Augusto Heleno Ribeiro Pereira

CHILE-HAITI-BRASIL-RIBEIRO PEREIRA-RAVINET-ONU-MINUSTAHEl Comandante de la Fuerza Militar de la Misión de Naciones Unidas para la estabilización de Haiti (Minustah), Teniente General de Ejército de Brasil, Augusto Heleno Ribeiro Pereira (C) es condecorado con la Gran Estrella al Mérito Militar por el Ministro de Defensa chileno Jaime Ravinet (D), en Santiago, el 17 de agosto de 2005. AFP PHOTO/Luis HIDALGO / AFP PHOTO / LUIS HIDALGOEditoria: POLLocal: SANTIAGOIndexador: LUIS HIDALGOSecao: politics (general)Fonte: AFP
Heleno foi cotado para vice de BolsonaroFoto: LUIS HIDALGO / AFP

General quatro estrelas, a mais alta graduação do Exército, Augusto Heleno Ribeiro Pereira tem 70 anos e está na reserva desde 2011, depois de atuar por 44 anos nas Forças Armadas. Filiado ao PRP, chegou a ser cogitado para ser vice na chapa do capitão da reserva, possibilidade rechaçada por seu partido que queria apostar em candidaturas ao Congresso. 

O movimento fez o militar pedir a desfiliação da sigla. Foi chefe do Comando Militar da Amazônia, de 2007 e 2009. No período, envolveu-se em polêmica ao afirmar que a política indígena brasileira é "caótica" e "lamentável". 

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