Santa Catarina acolhe mais um grupo de imigrantes venezuelanos Marco Favero/Diário Catarinense

Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Santa Catarina recebeu na noite desta quarta-feira (14) mais um grupo de imigrantes venezuelanos vindos de Roraima em busca de melhores condições de vida. Dessa vez foram 32 refugiados, sem filhos, que aterrissaram com um avião da Força Aérea Brasileira no Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, às 18h45min.

O grupo de 16 casais foi levado por um ônibus do Exército para o complexo Dom Jaime Câmara, de propriedade do Estado, em Palhoça. Lá, irão morar nos primeiros meses até conseguirem emprego e serem encaminhados a outros municípios. 

O momento da chegada na escola foi de muitos abraços e sorrisos. O casal Magdy del Valle, 48 anos, e Júlio César, 51, que estava em Boa Vista há 15 meses, deixou os cinco filhos na Venezuela e, agora, busca uma nova chance para então trazê-los para perto.

— Sentimos um pouco de medo do que vai acontecer. Mas o que queremos é trabalho, nada mais. E queremos ficar bem para talvez trazer nossos filhos para cá. Porque só aqui podem ter futuro, lá não tem como — disse o motorista de ônibus Júlio César.

— Nós, os venezuelanos, queremos agradecer a oportunidade de estarmos aqui — destacou Rossana Buriel em nome de todos do grupo.

Apoio do governo federal

O governo federal fará o repasse à Secretaria de Assistência Social de SC (SST) de R$ 400 por mês a cada venezuelano para ajudar no custeio. Segundo a consultora geral da pasta, Mariah Nascimento, a União deve enviar à Secretaria até o fim do mês o adiantamento de seis meses de custeio para os refugiados. 

Depois desse período é feita uma avaliação, mas a expectativa é que já sejam autossuficientes. Mariah diz que os imigrantes não devem ficar em Palhoça e serão destinados a outros locais, conforme as oportunidades de trabalho apareçam. Na próxima semana, o ônibus do Sine fará o cadastramento dos casais.

— Receber os venezuelanos é uma questão humanitária e isso está acima de qualquer
preconceito ou qualquer situação. Hoje são venezuelanos nessa situação, ontem foram nossos antepassados. Nós não vamos ajudar e vamos deixar eles morrerem na fronteira? — questiona a consultora.

Esse novo grupo veio por meio de uma parceria entre governo federal, governo do Estado, Secretaria de Assistência Social Trabalho e Habitação, Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e ONG DU Projetus, de Biguaçu.

Depois de Balneário Camboriú, Grande Florianópolis e Sul de SC receberão refugiados 

A reforma das casas

A Acnur custeou a reforma das duas casas mobiliadas que receberam os imigrantes. São residências com três quartos. Em cada um deles devem dormir dez pessoas em beliches. 

Para atender as necessidades iniciais dos casais, a Secretaria de Assistência Social de SC realizou campanhas de arrecadação junto à comunidade. Recebeu doações como produtos de higiene, cama e banho, além de roupas e outros utensílios. 

A ONG Du Projetus também arrecada alimentos e fará o acompanhamento das famílias. Atualmente, a estrutura do complexo Dom Jaime abriga uma escola estadual, uma creche, um posto de saúde, um programa de Convivência do Município de Palhoça, um Polo da Universidade Aberta do Brasil, uma agência do Sine e uma do Iprev.

 FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL, 14-01-2018:  Chegada de Venezuelanos a Florianópolis. Na foto estão nos alojamentos do exército.
Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Interiorização dos refugiados

Há um esforço do governo federal para levar os imigrantes para outros Estados, já que o fluxo de entrada em Roraima é intenso – estima-se que são cerca de 300 venezuelanos que cruzam a fronteira do Brasil diariamente. 

Em abril deste ano, o governo federal pediu que SC recebesse 2,5 mil imigrantes venezuelanos. Porém nenhum município aceitou abrigar os refugiados. 

Agora, o governo estadual resolveu intermediar a vinda dos refugiados. A medida faz parte do processo de interiorização dos venezuelanos pelo governo federal. 

A estratégia, que conta com apoio da agência da ONU, já levou mais de 2,3 mil venezuelanos migrados para outros Estados. Todos imigrantes que participam do programa são vacinados, submetidos a exame de saúde e regularizados no Brasil – inclusive com CPF e carteira de trabalho.

Em SC, o maior grupo chegou no dia 11 de outubro. Os 220 imigrantes vieram por iniciativa da igreja evangélica Embaixada do Reino de Deus e ficaram em casas principalmente em Balneário Camboriú, mas também em Itajaí, Itapema, Navegantes, Camboriú e Palhoça.

Grupo de 220 imigrantes venezuelanos chega a Santa Catarina 

Novas chegadas

No dia 20 de novembro, mais 28 imigrantes chegarão por intermédio da Secretaria de Assistência Social de SC para ocupar a segunda casa dentro do complexo Dom Jaime, em Palhoça. Além disso, a Cáritas, entidade de ajuda humanitária da Igreja Católica, se prepara para receber até o fim deste mês um grupo de 100 refugiados venezuelanos. 

Florianópolis é uma das sete capitais brasileiras a receber uma estrutura de acolhimento da entidade, que terá profissionais da área de psicologia, assistência social e educação popular. Em SC, a Cáritas pretende receber 200 imigrantes. Os refugiados serão acolhidos em 15 casas-abrigos, em São José e Tubarão.

Também neste mês, a igreja evangélica Embaixada do Reino de Deus, de Balneário Camboriú, espera receber mais cerca de 280 refugiados – já que se disponibilizaram a acolher 500 no total –, mas ainda não tem data definida. 

Contando os venezuelanos que ainda devem chegar, o Santa Catarina deve receber, no total, pelo menos 750 refugiados do país vizinho neste ano.

Para ajudar

> Quem quiser ajudar pode doar alimentos perecíveis (como lei, pão, frutas e verduras), roupas de cama, travesseiros, lençol, toalha e panelas. 

> Os donativos podem ser deixados na Secretaria de Assistência Social de SC (SST), na Rua Mauro Ramos, 722, ou no Complexo Dom Jaime Câmara, no bairro Bela Vista, em Palhoça. 

> O contato do Sine pode ser feito pelo telefone (48) 99912-5026.

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