Mulher faz denúncia contra João de Deus ao MP de Santa Catarina  Marcelo Camargo / Agência Brasil/Agência Brasil

João de Deus é suspeito de abusos sexuais

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil / Agência Brasil

Uma mulher fez uma denúncia contra o médium João Teixeira de Faria, o João de Deus, ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Essa é a primeira denúncia de suposto abuso sexual contra o médium feita no Estado desde que os relatos começaram a vir a público. O depoimento foi recebido pelo Centro de Apoio Operacional Criminal (CCR) do MPSC nesta sexta-feira (14). 

Coordenado pelo Promotor de Justiça João Alexandre Massulini Acosta, o CCR concentra as denúncias no Estado. Agora, o depoimento da mulher será encaminhado ao MP de Goiás. Para preservar a vítima, o órgão não repassa informações sobre a mulher.  

Quando começaram as denúncias de supostos casos de assédio sexual contra o médium, foi montada uma força-tarefa do MP. Em SC, a orientação é que os promotores das áreas criminal e de defesa da mulher colham os depoimentos e encaminhem ao CCR, que depois envia ao MP de Goiás. Os depoimentos podem ser feitos na Promotoria de Justiça mais próxima.

Suspeito de abusos sexuais durante tratamentos espirituais, o médium teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Goiás nesta sexta-feira (14). O pedido foi confirmado pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás.

Em nota, os advogados de João de Deus, Alberto Zacharias Toron e Luisa Moraes Abreu Ferreira, disseram que teve o decreto de prisão preventiva, mas que não foi disponibilizada "uma simples cópia da decisão para a defesa", já que o processo teria sido encaminhado de Abadiânia para Goiânia a fim de que o MP tomasse ciência da decisão. 

"É inaceitável a utilização de pretextos e artifícios para se impedir o exercício do direito de defesa. Sobretudo no que diz com o direito básico de se aferir a legalidade da decisão mediante a impetração de habeas corpus. Até mesmo o número do processo não se disponibiliza à defesa", diz a nota.

Entenda o caso

As denúncias começaram a vir a público na última sexta-feira (7) quando o programa Conversa com Bial, da TV Globo, divulgou as primeiras denúncias de abuso sexual. A partir daí, outras mulheres que afirmam ser vítimas do médium começaram a procurar as autoridades e a imprensa. Nessa quarta-feira, em sua primeira aparição pública, o médium disse que é inocente e está à disposição da Justiça brasileira.

— Irmãos e minhas queridas irmãs, agradeço a Deus por estar aqui. Quero cumprir a lei brasileira. Estou nas mãos da Justiça. O João de Deus ainda está vivo — declarou o médium ao passar pela Casa Dom Inácio, onde permaneceu por menos de dez minutos antes de sair alegando estar passando mal.


Manifestação

Simpatizantes do médium, vestidos de branco, fizeram uma manifestação na rua da Casa Dom Inácio de Loyola. Com cartazes, nos quais se lia "Espalhe o amor" e "Unidos pela Casa", os manifestantes rezaram e defenderam a inocência de João de Deus.

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