A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados, entre eles a Rússia, concordaram nesta sexta-feira (7) em reduzir sua produção em 1,2 milhão de barris diários (mdb) para tentar controlar os preços - anunciou o ministro iraquiano do Petróleo, Thamer Abbas al Ghadhban.

"Nós vamos reduzir 1,2 milhão de barris diários no total" da produção, declarou Ghadhban à imprensa, após uma reunião do cartel em Viena.

O ministro informou que os 14 países atualmente membros da Opep vão reduzir sua produção em 800 mil barris, enquanto seus 10 aliados vão produzir 400 mil barris a menos.

A incerteza tinha marcado o primeiro dia de reunião, após declarações pessimistas do peso-pesado do cartel, a Arábia Saudita.

"Não, eu não acredito" que se alcance um acordo, admitiu na quinta-feira o ministro da Energia da Arábia Saudita, Khaled al-Faleh, após um primeiro dia de negociações em Viena.

Mas a realidade bateu à porta quando os ministros constaram que há mais oferta que demanda.

Os preços tinham caído mais de 30% em dois meses.

Boa notícia para os consumidores, mas ruim para os produtores, muito dependentes de suas receitas petrolíferas.

O corte será calculado a partir dos níveis de produção de outubro e será reavaliado em abril, informou um porta-voz do cartel, Tafal al Nasr.

Antes do fim da reunião, os preços do barril de petróleo nos mercados de Londres e Nova York já subiam cerca de 5%.

Chegar a um acordo não foi simples. O ministro russo da Energia, Alexander Novak, lembrou na quinta que, no inverno, as "condições climáticas na Rússia tornavam muito mais difícil de reduzir (a produção) do que para outros países".

- Pressão de Washington -

Por sua vez, a Arábia Saudita deve enfrentar a pressão dos Estados Unidos, numa posição enfraquecida pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no consulado saudita em Istambul.

Antes da reunião em Viena, o presidente americano Donald Trump, que pressiona a Opep há meses, pediu à organização para não aumentar os preços, preocupado com os consumidores americanos.

O ministro saudita respondeu na quinta-feira que Washington "não está em posição de nos dizer o que devemos fazer", disse ele à imprensa. "Eu não preciso da permissão de ninguém para diminuir" a produção, acrescentou.

Rival político de Riad e terceiro maior produtor da Opep, o Irã propôs um corte de mais de 1 mbd, embora reclame uma isenção para si de qualquer redução por já estar submetido às sanções dos Estados Unidos.

A Opep e seus aliados controlam há dois anos, desde que oficializaram este pacto, aproximadamente metade da produção mundial de petróleo.

* AFP

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