O xerife Scott Israel, encarregado de reagir ao tiroteio que deixou 17 mortos no ano passado em uma escola da cidade de Parkland, na Flórida, foi suspenso nesta sexta-feira pelo novo governador do Estado, Ron DeSantis, em meio a acusações de incompetência.

Scott Israel, que era o principal chefe de polícia do condado de Broward, que envolve Parkland, tem sido questionado porque o jovem Nikolas Cruz foi capaz de entrar na escola secundária no dia 14 de fevereiro passado e atirar contra 34 pessoas sem ser impedido.

"A falta de cumprimento do dever e a incompetência ligadas ao massacre na escola Marjory Stoneman Douglas está bem documentada", disse Ron DeSantis em entrevista coletiva em Fort Lauderdale.

"Não me interessa dançar sobre o túmulo político de Israel, mas basta dizer que o massacre poderia não ter ocorrido se Broward tivesse uma liderança melhor como xerife", acrescentou DeSantis, que assumiu o cargo esta semana, após ganhar as eleições de novembro.

Após o anúncio, Israel, 62 anos, declarou que a decisão do governador republicano tem razões políticas e prometeu recorrer à Justiça para se manter no cargo.

"Isto não se trata de Parkland, isto é política", disse o democrata Israel, que acusou DeSantis de perseguição por sua postura a favor de um maior controle sobre a venda de armas.

"A Associação Nacional do Rifle [poderoso lobby pró-armas] controla as ações do governo e agora quer controlar a polícia do condado de Broward".

Recordando que ninguém foi suspenso após o ataque de 2016 contra uma discoteca gay em Orlando, onde morreram 49 pessoas, Israel declarou que "a diferença é que levantei minha voz contra a violência armada".

A comissão estadual que investigou o massacre publicou na semana passada um relatório que conclui que a polícia reagiu lentamente e um agente escolar se escondeu durante mais de meia hora enquanto estudantes eram massacrados na escola de Parkland.

Nikolas Cruz, então com 19 anos, atirou com um fuzil de assalto AR-15 contra os alunos da escola, matando 17 pessoas e ferindo outras 17.

O documento recorda que Cruz publicava fotos no Instagram onde exibia suas armas e escrevia comentários como "vou matar vocês no futuro" ou "quero matar gente com minha AR-15".

Mas o relatório acusa em particular a escola e a polícia pelo fracasso em impedir a tragédia.

Contribuiu para o massacre "a insatisfatória resposta dos corpos de segurança, que incluiu falhas no sistema de emergências 911 da cidade de Parkland e no sistema de rádio da polícia do condado de Broward".

A isto se agrega "a inadequada política de resposta a ataques ativos por parte do gabinete do xerife de Broward e a inadequada resposta do agente encarregado da escola".

* AFP

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