Legisladores americanos anunciaram um acordo de princípio entre democratas e republicanos para evitar um novo "shutdown" (fechamento), mas o prsidente Donald Trump disse não ter ficado satisfeito com este acerto.

"Não posso dizer que estou feliz, não posso dizer que estou animado", afirmou em uma reunião de gabinete na Casa Branca.

Trump indicou que pode encontrar outras fontes para melhorar a verba do Congresso, encerrando a disputa. "O muro finalmente será construído, de qualquer forma", disse, indicando que buscaria financiamentos adicionais "quando acrescentar o que tiver que acrescentar".

O compromisso, anunciado na noite desta segunda-feira para evitar uma nova paralisação parcial da administração federal em poucos dias, prevê US$ 1,3 bilhão, incluindo para a construção de cerca de 90 km de novas barreiras na fronteira, longe das exigências iniciais da Casa Branca.

Contudo, ainda terá que ser votado pelo Congresso e aprovado pela presidência.

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, disse que o acordo é "certamente uma boa notícia". "Ele fornece novos fundos para quilômetros de novas barreiras de fronteira", disse ele, para que o governo possa trabalhar "com previsibilidade e certeza".

Chuck Schumer, o principal senador democrata, concordou.

"Embora os detalhes ainda não tenham sido definidos, o acordo provisório representa um caminho para o nosso país, longe de outra rodada de negociações complicadas (... e) de uma temida paralisação do governo", disse Schumer.

Enfraquecido pela perda da Câmara de Representantes em novembro e seu recuo no final de janeiro na luta travada com os democratas sobre a imigração, Donald Trump ainda exige a liberação de cerca de US$ 5 bilhões para a construção do muro polêmico.

Essa medida para combater a imigração ilegal da América do Sul é uma promessa de campanha do presidente americano, que insistiu na segunda à noite em El Paso que os muros ajudam a "salvar vidas".

- Boas notícias -

"Precisamos de um muro (...) e vamos construí-lo rapidamente", disse ele.

Trump permaneceu evasivo sobre uma possível saída do impasse no Congresso. "Eles disseram que houve progresso (...) Pode haver boas notícias, mas quem sabe?"

Depois de 35 dias de impasse, um recorde na história dos Estados Unidos, Donald Trump finalmente cedeu no final de janeiro, assinando uma lei orçamentária para pagar os salários de cerca de 800.000 funcionários federais.

Mas a trégua foi apenas temporária, e o novo prazo, marcado para 15 de fevereiro, se aproxima.

Há várias semanas, a Casa Branca tem ameaçado recorrer a um procedimento de emergência excepcional para liberar os fundos necessários sem passar pelo Congresso.

Uma lei de 1976, o "National Emergencies Act", autoriza o presidente dos Estados Unidos a invocar uma "urgência" nacional para ativar poderes extraordinários.

Consciente que tal iniciativa, que não é unânime em seu campo, poderia desencadear uma feroz batalha político-legal, Donald Trump tem evitado dar esse passo.

- Olho nas eleições -

De olho nas eleições presidenciais de 2020, onde pretende buscar um segundo mandato, o presidente alfinetou Beto O'Rourke, uma estrela em ascensão do partido democrata que participava de um comício não muito longe.

O homem de 40 anos, que prometeu se pronunciar sobre eventuais ambições presidenciais até o final de fevereiro, convocou o comício para responder às "mentiras e ódio com a verdade e uma visão ambiciosa e positiva do futuro".

Donald Trump, por sua vez, ironizou este "jovem que perdeu uma eleição (senatorial) contra Ted Cruz".

A manifestação, organizada por várias ONGs, teve como objetivo denunciar "a obsessão de Trump com o muro fronteiriço e o prisma deformante com o qual ele descreve a vida em El Paso".

Na semana passada, durante seu discurso anual diante do Congresso, o locatário da Casa Branca citou a cidade como exemplo. Mas esses argumentos não agradou a todos.

"A cidade de uma taxa extremamente alta de crimes violentos e era considerada como uma das cidades mais perigosas do país", afirmou. "Depois que uma poderosa barreira foi estabelecida, El Paso se tornou uma das cidades mais seguras do país".

- Desinformação -

Esta descrição desta cidade texana localizada a mais de 3.000 quilômetros de Washington não resiste, no entanto, à análise dos números.

A construção de uma barreira ocorreu em 2008/2009. Mas nos últimos 30 anos, o auge da criminalidade ocorreu em meados da década de 1990, com uma queda de um terço no número de crimes violentos entre 1993 e 2006.

"El Paso é uma das comunidades mais seguras dos Estados Unidos e desde muito antes do muro ser construído", ressaltou a democrata Verônica Escobar, que acredita que o presidente dos Estados Unidos deve se desculpar com seus habitantes.

"Essa desinformação está causando danos", acrescentou ela.

* AFP

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