O Irã prometeu nesta segunda-feira (11) o fracasso dos "planos diabólicos de seus inimigos", sobretudo Estados Unidos e Israel, pelos 40 anos da vitória da Revolução Islâmica, celebrada maciçamente em todo o país.

Na Praça Azadi ("Liberdade") de Teerã, o presidente Hassan Rohani fez um discurso sob uma incessante chuva, que no árido país é considerada uma bênção, diante de uma enorme multidão.

"A presença do povo nas ruas de toda a República Islâmica do Irã (...) significa que o inimigo não alcançará nunca os seus objetivos diabólicos", disse Rohani à multidão, depois de denunciar um "complô" dos Estados Unidos, dos "sionistas" e dos Estados "reacionários" do Oriente Médio contra o Irã.

O presidente americano, Donald Trump, reagiu pelo Twitter, denunciando "40 anos de corrupção. 40 anos de repressão. 40 anos de terror" no Irã. "O regime no Irã só gerou #40AnosDeFracasso", tuitou o presidente.

"O sofrido povo iraniano merece um futuro mais luminoso", acrescentou em um tuíte em inglês, seguido de outro igual em farsi.

- 'Morte aos Estados Unidos' -

O comparecimento aumentou de hora em hora durante toda a manhã. Multidões de todas as idades se reuniam apesar da chuva diante dos pontos das diferentes instituições estatais ou semi-governamentais onde ofereciam chá.

O 22 bahman do calendário iraniano, feriado, comemora a derrubada do regime do xá Mohammad Reza Pahlavi há 40 anos, 10 dias depois do triunfal retorno do exílio do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica do Irã.

Mulheres usando chador, crianças com balões, homens de roupas escuras, basijs (milícias islâmicas) uniformizadas e clérigos com turbantes desfilavam pela praça, sobrevoada por helicópteros.

Duas réplicas de mísseis balísticos, de fabricação local, eram exibidas em uma rua. Não muito longe também era possível ver réplicas de mísseis de cruzeiro.

A multidão agitava bandeiras com as cores nacionais - verde, branco e vermelho -, que também adornavam a torre Azadi, monumento emblemático de Teerã inaugurado em 1971 por Mohammad Reza Pahlavi por ocasião dos festejos dos 2.500 anos do nascimento do império persa.

Em meio aos guarda-chuvas via-se cartazes do guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ali Khamenei.

"Morte aos Estados Unidos, "Abaixo a Inglaterra", "Morte a Israel", "Pisoteamos os Estados Unidos", "40 anos de desafios", "40 anos de derrotas para os Estados Unidos", "Israel não viverá mais de 25 anos", podia-se ler.

A República Islâmica celebra o seu 40º aniversário com um programa bem estabelecido: como nos anos anteriores, as comemorações da Praça Azadi incluirão balões, flores lançadas de helicópteros, coros, uma aterrissagem de paraquedas, orações, discursos e slogans revolucionários, indica o programa oficial.

A televisão estatal transmitia imagens da multidão reunida em Teerã e em várias cidades iranianas, e advertiu sobre a desinformação "de alguns meios de comunicação estrangeiros hostis".

O marco dos 40 anos - sinônimo de maturidade - é simbólico no mundo muçulmano: é a idade que, segundo a tradição, Maomé recebeu a revelação divina e começou a transmitir o Alcorão.

Depois de seu discurso, Rohani emitiu um comunicado agradecendo ao povo iraniano por sua mobilização.

Segundo seu site, Khamenei publicará uma declaração durante o dia, na qual detalhará "o segundo passo (...) do grande processo de universalização" da Revolução Islâmica.

- 'Pedaços de madeira nas rodas' -

Para o Irã, este aniversário ocorre em um período de dificuldades econômicas e tensões renovadas com os Estados Unidos.

Os benefícios comerciais e financeiros esperados com o acordo sobre o programa nuclear assinado em 2015 com as grandes potências não se concretizaram, e o país sofre pelo restabelecimento das sanções americanas subsequentes a sua retirada do acordo, em 2018.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia iraniana entrou em recessão em 2018 e o PIB do país cairá 3,6% em 2019.

A retirada dos Estados Unidos do acordo e a política abertamente hostil do presidente Donald Trump alimentaram o aumento das tensões com Washington.

"Estamos aqui para apoiar a República Islâmica", declarou à AFP um aposentado da função pública. "Existem problemas, somos como um ciclista que colocaram um pedaço de madeira nas rodas".

* AFP

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