Os egípcios votam, neste sábado (20), em um referendo sobre uma reforma constitucional que estende o atual mandato do presidente Abdel Fatah al-Sissi, ex-militar que se apresenta como garantia de estabilidade em uma região turbulenta.

Decorados com cores patrióticas e fortemente protegidos por militares e policiais, os 13.000 colégios eleitorais em todo país abriram as portas às 9h locais (4h de Brasília). As urnas serão fechadas na segunda-feira à noite.

Cerca de 62 milhões de egípcios, de uma população total de aproximadamente 100 milhões, estão habilitados para votar.

Al-Sissi votou logo na abertura dos colégios eleitorais, segundo imagens divulgadas pela emissora estatal.

Mohamed Abdel Salam, um eleitor de 45 anos do Cairo, votou no "sim".

"O mandato presidencial me importa pouco, desde que [o presidente] seja útil e cumpra seu papel... E Sissi fez muito", declarou à AFP.

Outro eleitor de cerca de 30 anos, que pediu para não ser identificado, revelou que "somos funcionários de uma empresa, nos pediram para irmos votar".

Os resultados serão divulgados em alguns dias, mas é dado como certo que Al-Sissi vai obter apoio maciço da população.

"O mandato atual do presidente deve terminar dentro de seis anos", assim, o ano de encerramento passa de 2022 para 2024, estipula a emenda ao artigo 140 da Constituição.

Após essa prorrogação, o chefe de Estado "pode ser reeleito para outro mandato", até 2030, acrescenta a reforma constitucional.

A ONG americana Human Rights Watch afirmou neste sábado que as emendas constitucionais "consolidarão o poder autoritário" no Egito.

Apesar dos protestos por parte de entidades defensoras dos direitos humanos, o referendo de três dias deve abrir também as portas para que Al-Sissi opte por um terceiro mandato presidencial.

Nas últimas semanas, nas ruas do Cairo e de outras grandes cidades do país surgiram cartazes pedindo "sim" à revisão da Constituição de 2014 - que até agora limita a dois o número de mandatos presidenciais, de quatro anos de duração.

Na última terça-feira, o Parlamento egípcio aprovou com esmagadora maioria (531 dos 554 votos) as emendas constitucionais que estão sendo submetidas a referendo, inclusive a que estende o atual mandato.

Al-Sissi foi eleito pela primeira vez com 96,9% dos votos, em 2014, um ano depois de ter liderado um movimento militar, em meio a uma revolta popular, que derrubou o então presidente Mohamed Mursi, de quem era ministro da Defesa.

Sua reeleição, em março de 2018, com 97,08% dos votos, ocorreu em uma disputa com um rival pitoresco e após a prisão dos líderes que poderiam ofuscá-lo.

* AFP

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