O chefe do Conselho militar de transição do Sudão, Abdel Fattah al-Burhane, reforçou neste domingo (21) seu compromisso em devolver o poder ao povo, pouco antes de uma coletiva de imprensa dos líderes dos protestos, que podem anunciar uma autoridade civil rival.

O "Conselho se compromete a transferir o poder para o povo", declarou o general Burhane.

Ele garantiu que os militares responderão ao longo da semana às demandas dos manifestantes, reunidos há mais de duas semanas em frente ao quartel-general do Exército em Cartum para exigir a transferência de poder para uma autoridade civil.

O chefe do Conselho militar de transição fez esta afirmação em sua primeira entrevista nacional após a destituição, em 11 de abril, por parte do Exército, do presidente Omar al-Bashir, sob uma pressão popular inédita.

O movimento teve início em 19 de dezembro, após a decisão do governo de Al-Bashir de triplicar o preço do pão no país, que atravessa uma estagnação econômica. As manifestações rapidamente se voltaram contra o presidente - atualmente preso em Cartum.

O equivalente a US$ 113 milhões foram encontrados na casa do presidente, revista por agentes da polícia e do Exército, informou o general Burhane.

Na noite deste domingo, milhares de manifestantes estavam reunidos em frente ao QG do Exército em Cartum para manter a pressão.

Na linha de frente dos protestos, a Associação de Profissionais Sudaneses (SPA) tinha afirmado na sexta-feira que "os nomes dos membros de um Conselho civil encarregado dos assuntos do país serão anunciados em uma coletiva de imprensa no domingo às 19h locais (14h de Brasília)", em frente ao QG.

Diplomatas estrangeiros e jornalistas foram convidados para a coletiva de imprensa.

No local dos protestos, porém, os manifestantes estavam impacientes.

"Esperamos o anúncio hoje", afirmou Romaysaa Omar, manifestante no QG do Exército. "Toda a população sudanesa é favorável ao anúncio desse Conselho", completou.

No sábado, os líderes militares - que até então resistiam aos pedidos de transferência de poder - e os dos protestos tiveram discussões e chegaram a um acordo.

"Nós esclarecemos nossa principal demanda, que é a transferência de poder para as autoridades civis", disse Siddiq Youssef, líder da Aliança pela Liberdade e Mudança (ALC), que supervisiona partidos e grupos políticos na sociedade envolvidos nos protestos.

* AFP

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