O primeiro-ministro do Mali, Soumeylou Boubèye Maïga, apresentou sua renúncia nesta quinta-feira à noite, após a Assembleia Nacional discutir uma moção de censura pela má gestão da intensa insatisfação da população.

Em nota oficial, o presidente Ibrahim Boubacar Keita anunciou que aceitou a renúncia de Maiga, e disse que um novo primeiro-ministro será nomeado "em breve" após uma rodada de consultas com as forças do governo e da oposição.

"Um primeiro-ministro será nomeado em breve e um novo governo será formado depois das consultas com todas as forças políticas, tanto do governo, quanto da oposição, afirmou Keita em um comunicado.

Maiga, nomeado em dezembro de 2017 por Keita, havia tido o mandato prorrogado em setembro de 2018 após a reeleição do chefe de Estado. Sua renúncia ocorre às vésperas de a Assembleia Nacional avaliar uma moção de censura do governo apresentada por deputados da oposição e da maioria.

"Somente o melhor interesse do Mali deve prevalecer", disse a presidente da Assembleia Nacional, Issiaka Sidibe, nesta sexta-feira, durante uma sessão realizada em apenas alguns minutos, devido à ausência do governo. "É imperativo silenciar nossas diferenças e nossas lutas internas", disse ele.

Maiga está no centro das críticas ao governo nas últimas semanas, e influentes líderes muçulmanos exigiram sua saída do cargo.

Em uma tentativa de encontrar uma saída para a crise, o próprio presidente Keita se reuniu com representantes religiosos e vários partidos da oposição.

Na terça-feira, Keita pronunciou um discurso à nação no qual disse que tinha "ouvido toda a raiva, todos os sinais" da população, e anunciou o início de um processo de "consenso nacional" de 23 a 28 abril.

Esse grande debate nacional incluiria uma revisão da Constituição que mais tarde seria submetida a um referendo.

A capital, Bamako, foi abalada em 5 de abril por enormes manifestações, o que levou a uma reação marcadamente violenta por parte do governo.

* AFP

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