No segundo dia das eleições europeias, esta sexta-feira, Irlanda e República Tcheca comparecem às urnas: a primeira após uma campanha dominada pelo Brexit e o anúncio da renúncia da primeira-ministra britânica Theresa May e a segunda sob o espectro do movimento populista do controverso primeiro-ministro Andrej Babis.

Mas o anunciado avanço das forças nacionalistas e de extrema-direita pode acabar não acontecendo da maneira como havia sido projetado, a julgar pela votação de quinta-feira na Holanda, onde as pesquisas de boca de urna apontaram a vitória dos socialistas.

Durante quatro dias de votações, mais de 400 milhões de eleitores estão registrados para comparecer às urnas em 28 países e designar 751 representantes. Reino Unido e Holanda iniciaram o processo na quinta-feira, mas a maioria dos países organizará o pleito no domingo, o que significa que os resultados oficiais só poderão ser divulgados a partir da noite de 26 de maio.

Estas é a nona eleição para o Parlamento Europeu desde 1979. O índice de participação registra queda a cada pleito, com apenas 43% em 2014.

Na República da Irlanda, os principais partidos fizeram campanha para reforçar o espaço do país no projeto europeu, buscando atenuar as consequências para sua economia da saída da Grã-Bretanha da UE, agora adiada para 31 de outubro.

O Brexit custou o mandato da primeira-ministra britânica Theresa May, que anunciou nesta sexta-feira que deixará o cargo dentro de duas semanas, muito desgastada pela interminável saga da saída da UE.

Acompanhada em todo o continente, a novela Brexit é de particular interesse para a Irlanda, que tem o Reino Unido como principal sócio comercial.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, afirmou temer que a renúncia de May leve o processo do Brexit a uma fase "muito perigosa" para a Irlanda.

O país teme o retorno de uma fronteira física com a Irlanda do Norte, uma província britânica, em caso de Brexit sem acordo.

A Irlanda tem atualmente 12 eurodeputados, mas o país deve ganhar mais duas cadeiras quando o Reino Unido deixar a UE, o que provocará a distribuição das 73 cadeiras ocupadas atualmente pelos britânicos na Eurocâmara. Mas os irlandeses, como os demais países do bloco, só poderão ocupar as vagas após a saída efetiva de Londres.

Além da eleição europeia, os irlandeses também devem votar em um referendo sobre a modernização da lei de divórcio no país, onde os ventos de mudança e abertura sacudiram nos últimos anos a tradição católica.

- Pendentes dos populismos -

A República Tcheca organiza a votação em dois dias, sexta-feira e sábado.

As pesquisas apontam a liderança do movimento populista Aliança de Cidadãos Descontentes (ANO, na sigla em tcheco) do bilionário Babis, apesar da onda recente de protestos contra o primeiro-ministro do país, membro da UE desde 2004.

Acusado por suposta fraude dos subsídios europeus, Babis, 64 anos, também foi alvo de uma investigação da UE sobre um possível conflito de interesses entre suas atividades políticas e seus negócios.

Dezenas de milhares de tchecos saíram às ruas há 10 dias para pedir a renúncia do chefe de Governo e da ministra da Justiça, que os manifestantes acusam de querer impedir os processos contra o magnata.

Apesar dos protestos, uma pesquisa do instituto Median apontou que o ANO venceria as eleições europeias no país com mais de 25% dos votos, à frente do partido ODS (direita) e do Partido Pirata, cada um com 14% das intenções de voto.

Em grande parte do continente as pesquisas apontam o avanço dos movimentos nacionalistas e populistas, que são contrários ao projeto de maior integração europeia, e a perda de espaço dos dois grandes grupos na Eurocâmara: o Partido Popular Europeu (PPE, conservador) e o Partido Socialista Europeu (PSE).

* AFP

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