As discussões no Partido Democrata sobre um eventual "impeachment" se intensificaram nesta terça-feira (21) depois que Don McGahn, ex-advogado de Donald Trump, se negou a depor sobre as acusações de obstrução da justiça feitas contra o presidente dos Estados Unidos.

Líderes democratas na Câmara de Representantes têm sofrido pressão de colegas e companheiros de partido para relançar os esforços para um julgamento político depois que a Casa Branca voltou a atravancar a investigação parlamentar sobre a conivência da equipe de campanha do então candidato republicano com a Rússia nas eleições de 2016.

Irritados pela ausência de McGhan, nesta terça-feira, em uma convocação no Congresso, legisladores democratas ameaçaram levar o caso aos tribunais.

McGahn, que entregou ao procurador especial Robert Mueller indícios de que Trump tentou torpedear a investigação de um suposto conluio russo, faltou à convocação da Comissão Judicial da Câmara de Representantes após ser instruído pela Casa Branca.

A negativa de McGahn de comparecer perante o Comitê Judicial foi a mais recente de uma série de manobras da Casa Branca para frustrar as investigações da Câmara, controlada pelos democratas.

A porta-voz do Executivo, Sarah Sanders, disse na segunda que a investigação de Mueller sobre o suposto conluio de Trump com a Rússia isentou o presidente, razão pela qual não seria necessário continuar com os depoimentos.

Os acertos para que Mueller declare têm sido barrados por sua insistência em que o grosso do depoimento seja feito em caráter privado.

A Casa Branca apelou nesta terça-feira de uma ordem da Corte federal para que os contadores de Trump entreguem suas declarações de impostos a outro comitê da Câmara.

Também negou-se a entregar ao Congresso uma versão completa do relatório de Mueller e os documentos vinculados à investigação.

- Fúria -

Diante desta série de atitudes da Presidência, deputados da oposição voltaram à carga para levar Trump a julgamento.

"Devemos iniciar uma investigação para um julgamento político", declarou o representante Mark Pocan, um dos líderes da ala progressista do Partido Democrata.

"Temos que fazer nosso trabalho e nos pronunciar sobre o impeachment", tuitou a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez.

A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, que até agora havia rechaçado esta opção, programou uma reunião para a quarta-feira para discutir o tema.

O presidente da Comissão Judicial da Câmara dos Deputados, Jerry Nadler, disse que cada um dos incidentes que McGahn descreveu no informe de Mueller "constituíram um delito" e que o ex-assessor tem que testemunhar no Congresso.

"Nossas convocações não são opcionais", afirmou no início da audiência.

"Permitam-me ser claro: este comitê escutará o testemunho do senhor McGahn, mesmo se tivermos que ir aos tribunais para garanti-lo", advertiu.

A Casa Branca assegura que um ex-assessor não pode ser legalmente obrigado a depor, um argumento com o qual Nadler não concorda.

- À sombra de 2020 -

Nadler deixou claro, no entanto, ser favorável a se manter firme na postura do partido de lançar investigações públicas e não avançar em um processo de destituição.

O deputado Steny Hoyer, outra das principais referências na Câmara, se pronunciou no mesmo sentido.

O jornal The Washington Post reportou, no entanto, que na segunda-feira à noite, Nadler, cujo comitê gerenciaria qualquer ação de julgamento político, disse a Pelosi ser favorável a abrir uma investigação de impeachment, o primeiro passo deste processo.

A representante Sheila Jackson Lee, membro do comitê de Nadler, declarou à imprensa que vai apresentar formalmente uma "resolução de investigação" para o julgamento político nas próximas 48 horas.

Mas Hoyer argumentou que seus colegas democratas ainda não estavam prontos para uma iniciativa deste tipo.

"Não acho que haja nenhum democrata que pense que Trump não fez algumas coisas que provavelmente justificam o julgamento político", destacou.

"Tendo dito isto" - completou - "penso que a maioria dos democratas continua acreditando que devemos continuar no caminho em que estivemos".

* AFP

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