A chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu ter tido "embates" com o presidente francês, Emmanuel Macron - revela uma entrevista publicada no jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" nesta quarta-feira (15).

"É claro, temos embates", afirmou a chanceler, acrescentando que "há diferenças de mentalidade" entre ela e o presidente francês, assim como "diferenças na [sua] compreensão dos papéis".

Em uma reação posterior em entrevista coletiva no Eliseu, Macron disse que eram "embates proveitosos" para "alcançar compromissos".

Os dois tiveram várias divergências nos últimos meses: do congelamento da venda de armas para a Arábia Saudita decidida pela Alemanha, após a morte do jornalista Jamal Khashoggi, até o futuro da União Europeia, passando pelo Brexit e pelos adiamentos dados ao Reino Unido.

Merkel também aponta os "enormes avanços" feitos, graças à relação franco-alemã, especialmente em matéria de defesa.

"Decidimos desenvolver um avião de combate e um tanque juntos. [...] É um sinal de confiança contar mais uns com os outros em matéria de política de defesa", relatou.

A chanceler esclarece que as relações entre ambos não se deterioraram nos últimos meses. Reconhece, contudo, que tiveram "temporalidades diferentes".

Merkel foi criticada, inclusive por seus correligionários conservadores, por não ter aproveitado as propostas de Macron em um discurso em 2017 sobre a reativação da Europa.

"Temos de aceitar divergências momentâneas, não estar totalmente de acordo sobre tudo, para construir um compromisso com a Alemanha para poder avançar", acrescentou Macron em entrevista coletiva no Eliseu.

Merkel insiste nas diferenças políticas entre os dois países: "Sou a chanceler de um governo da coalizão e sou muito mais dependente do Parlamento do que o presidente francês, que não pode entrar na Assembleia Nacional", em nome da separação de poderes, do Executivo e Legislativo.

A menos de duas semanas das eleições europeias (26 de maio), Merkel considera que se trata de um pleito "de grande importância, uma eleição especial".

Muitos estão "preocupados com a Europa, eu também", completou.

* AFP

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