A Arábia Saudita solicitou a convocação urgente de duas cúpulas regionais em um contexto de crescente tensão no Golfo, afirmando neste domingo (19) que não busca uma guerra com o Irã, mas que está disposta a "defender seus interesses".

Este apelo ocorre poucos dias depois de misteriosos atos de sabotagem a navios no Golfo e ataques a estações de bombeamento no reino por rebeldes huthis iemenitas que, de acordo com Riad, são apoiados pelo Irã.

Os Estados Unidos também implantaram na região do Golfo seu porta-aviões "Abraham Lincoln" e bombardeiros B-52, evocando uma "ameaça" do Irã, seu inimigo e também rival de Israel e da Arábia Saudita, dois países aliados de Washington.

As cúpulas extraordinárias convocadas pelo rei Salman - do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e da Liga Árabe - serão realizadas em 30 de maio em Meca "para discutir essas agressões e suas consequências na região", informou a agência oficial saudita SPA.

Trata-se de "consultar e coordenar com os líderes irmãos todas as questões que possam fortalecer a segurança e a estabilidade na região".

Os Emirados Árabes Unidos, aliado de Riad, "saudaram" esta iniciativa.

- Evitar uma guerra -

Durante uma coletiva de imprensa em Riad, o ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir, afirmou que seu país "não quer uma guerra" com o Irã e "vai fazer de tudo para evitá-la".

Ao mesmo tempo, assegurou que Riad está pronta para "se defender e defender os seus interesses" se a outra parte decidir avançar para um conflito armado.

A agência SPA informou que o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, falou por telefone com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, sobre as medidas a tomar para fortalecer a segurança na região.

De acordo com Elizabeth Dickinson, analista do centro de estudos do Crisis Group, Riad quer mostrar que tem o apoio de outros países da região.

"A pressão máxima que os Estados Unidos exercem contra o Irã tem pouco apoio entre os aliados ocidentais", acrescenta a analista.

Por sua vez, "a Arábia Saudita está construindo o que é, na sua opinião, a maior coalizão de países árabes e muçulmanos já forjada contra o Irã, o adversário comum", explica Dickinson.

- Ataques e sabotagens -

Os xiitas huthis, rebeldes pró-iranianos que controlam grandes áreas no Iêmen, vizinho à Arábia Saudita, reivindicaram um ataque cometido na terça-feira na região de Riad contra duas estações de bombeamento de um oleoduto que liga o leste e oeste da Arábia Saudita.

Além disso, quatro navios foram danificados em atos de sabotagem ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos, na entrada do Golfo. Foram atingidos dois petroleiros sauditas, um navio norueguês e um cargueiro dos Emirados.

Um comunicado saudita destaca "as graves consequências desses ataques", especialmente para "as rotas de abastecimento e a estabilidade dos mercados mundiais de petróleo".

Quando questionado sobre os recentes ataques a navios no Golfo, o ministro saudita afirmou: "Nós investigamos esse problema (...) Temos algumas indicações e vamos apresentá-las quando a investigação for concluída".

No entanto, nem os Emirados nem a Arábia, ambos aliados de Washington, deram mais detalhes sobre a natureza desses ataques a navios.

* AFP

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