John Walker Lindh, conhecido como o "talibã americano" após ser capturado quando lutava com os jihadistas em novembro de 2011, será libertado nesta quinta-feira.

Conhecido como "Detento 001" durante a guerra contra o terrorismo empreendida por Washington, a libertação de Lindh após 17 anos de prisão traz de volta o espectro dos ataques do 11 de setembro em Nova York e recorda que quase duas décadas depois os Estados Unidos continuam combatendo os talibãs.

Enquanto sua família e amigos garantem que jamais pegou em armas contra seu próprio país, outros afirmam que permanece sendo um jihadista comprometido e um risco para a sociedade.

Em carta dirigida à Agência Federal de Prisões, dois senadores citaram esta semana acusações não comprovadas de que Lindh apoia a violência extremista "abertamente".

"Devemos considerar as implicações de segurança e proteção para nossos cidadãos e as comunidades que receberão indivíduos como John Walker Lindh".

Lindh, 38 anos, foi condenado a duas décadas de prisão, mas devido ao bom comportamento sairá da prisão de segurança máxima de Terre Haute, em Indiana, três anos antes.

Filho de um casal de classe média que vivia no norte de San Francisco, Lindh se converteu ao Islã aos 16 anos e viajou ao Iêmen em 1998 para aprender árabe.

Depois de regressar aos Estados Unidos, voltou ao Iêmen no ano 2000, de onde seguiu para o Paquistão.

Em meados do ano 2001, aparentemente atraído por histórias de atrocidades contra os afegãos, se uniu aos talibãs na luta contra a Aliança do Norte.

Após os Estados Unidos entrarem no Afeganistão devido aos ataques do 11 de Setembro, Lindh foi um dos combatentes capturados pelas forças da Aliança do Norte, em 25 de novembro.

Lindh revelou sua identidade a dois agentes da CIA, um deles Johnny Micheal Spann, que morreu em uma revolta de prisioneiros horas após interrogá-lo, sendo a primeira baixa americana no conflito posterior ao 11 de Setembro no Afeganistão.

Nos Estados Unidos, foi acusado de terrorismo e conspiração para matar americanos.

Muitos políticos e comandantes militares defenderam que fosse condenado à morte, mas em julho de 2002 se declarou culpado de acusações mais leves, como ajudar ilegalmente os talibãs e portar armas e explosivos.

Sua pena de 20 anos foi declarada uma "vitória para o povo americano na guerra contra o terrorismo".

Segundo muitas versões, Lindh se aproximou ainda mais do Islã ao longo dos anos de prisão em Terre Haute, onde seus contatos externos eram estritamente controlados.

Um relatório interno de 2017 do Centro Nacional de Combate aos Terrorismo dos Estados Unidos informava que Lindh "continuou defendendo a Jihad global e escrevendo e traduzindo textos extremistas violentos".

A informação não foi confirmada por qualquer evidência pública e documentos judiciais jamais retrataram Lindh como um partidário da "Jihad global".

A família de Lindh e seu advogado permanecem em silêncio sobre sua libertação, sem dar qualquer indicação para onde irá e o que fará.

Mas Lindh enfrentará condições extremamente difíceis em seus três anos de liberdade condicional.

Lindh, que também é cidadão irlandês, não poderá tirar passaporte ou viajar ao exterior, e só terá acesso a um computador ou smartphone com permissão oficial, e o dispositivo será monitorado continuamente pelas autoridades.

* AFP

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