A tensão aumentou nesta segunda-feira no Golfo, onde vários navios foram alvos de "atos de sabotagem", de acordo com a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, ao mesmo tempo que o chefe da diplomacia americana alterou sua agenda para discutir a questão do Irã com os países europeus.

As autoridades da Arábia Saudita, aliada dos Estados Unidos, anunciaram nesta segunda-feira "atos de sabotagem" contra navios sauditas nas costas dos Emirados Árabes Unidos, outro país próximo a Washington que reforçou sua presença militar no Golfo em consequência da tensão com o Irã.

"Dois petroleiros sauditas foram alvos de atos de sabotagem na zona econômica exclusiva dos Emirados Árabes Unidos, na costa do emirado de Fuyaira, quando estavam prestes a entrar no golfo da Arábia", afirmou o ministro da Energia, Khalid Al Falih, citado pela agência oficial SPA.

No domingo, o governo dos Emirados Árabes Unidos também citou "atos de sabotagem" contra quatro navios comerciais de várias nacionalidades no leste do emirado de Fuyaira, sem identificar os autores do que considerou um evento "grave".

No Irã, as autoridades julgaram "preocupantes" os "atos de sabotagem" contra navios e pediram uma investigação.

"Estes incidentes no mar de Omã sã preocupantes e lamentáveis", declarou Abbas Musavi, porta-voz do ministério das Relações Exteriores em Teerã, que pediu uma investigação e advertiu contra a "aventura de atores estrangeiros" na zona para perturbar a navegação marítima.

O ministro saudita da Energia afirmou que as ações contra os petroleiros do país não provocaram vítimas ou vazamentos, mas causaram "danos significativos às estruturas de dois navios".

Um dos petroleiros seguia viagem para receber sua carga de petróleo no terminal saudita de Ras Tanura para uma entrega a clientes americanos.

O ministério saudita das Relações Exteriores condenou o "ato criminoso", que representa uma "séria ameaça" à navegação marítima e "uma incidência nefasta para a paz e a segurança regional e internacional".

Assim como o governo dos Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita não apontou nenhum culpado. Os dois países não detalharam o tipo sabotagem sofrido pelos navios.

No domingo, as autoridades dos EAU pediram à comunidade internacional "tomar responsabilidades para evitar que se cometam este tipo de ações por partes que buscam atentar contra a segurança da navegação".

O porto de Fuyaira é o único terminal nos Emirados Árabes Unidos situado na costa do mar da Arábia, contornando o estreito de Ormuz, por onde circula a maior parte das exportações de petróleo do Golfo.

Em diversas ocasiões o Irã ameaçou fechar o estreito, muito estratégico, crucial para a navegação mundial e o fornecimento de petróleo, em caso de confronto militar com os Estados Unidos.

O anúncio dos incidentes acontece em um momento de tensão entre Washington e Teerã após o reforço das sanções americanas contra o regime iraniano, que suspendeu alguns compromissos sobre seu programa nuclear.

Na sexta-feira, o governo americano anunciou o envio à região de um navio de guerra transportando veículos, sobretudo anfíbios, e de uma bateria de mísseis Patriot, somados ao deslocamento de um porta-aviões e de bombardeiros B-52.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, viaja a Bruxelas nesta segunda-feira para abordar "questões urgentes", em particular o Irã, com autoridades europeias, informou o Departamento de Estado.

O chanceler britânico, Jeremy Hunt, afirmou que está "muito preocupado com o risco de um conflito por acidente em consequência de uma escalada involuntária dos dois lados".

* AFP

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