Os eleitores votavam neste domingo (26) em 21 países da União Europeia para escolher seus representantes no Parlamento Europeu, onde os partidos eurocéticos devem alcançar um novo avanço segundo as pesquisas.

De leste a oeste, as assembleias de voto abriram gradualmente, da Grécia, onde os jovens de 17 anos votam pela primeira vez, até Portugal. O horário de votação varia de acordo com o país: os últimos serão os italianos, encerrando o pleito às 23h00 (18h00 no horário de Brasília).

A eleição já ocorreu em sete países desde quinta-feira, incluindo no Reino Unido, que se resignou a organizar a votação após um novo adiamento do Brexit, com um prazo agora definido para 31 de outubro. O mandato dos eleitos britânicos vai acabar assim que seu país deixar a União, e seus assentos serão abolidos ou redistribuídos para outros países.

Cerca de 427 milhões de europeus são chamados às urnas nesta eleição, que visa eleger por 5 anos os 751 membros do Parlamento Europeu. Uma assembleia que aumentou consideravelmente seus poderes, mas cuja eleição é geralmente marcada por uma baixa participação (42,6% em 2014).

Ao meio-dia na França (7h00 de Brasília), a tendência era positiva, com uma taxa de participação de 19,26%, um aumento de 3,5 pontos em relação a 2014 na mesma hora.

Os resultados oficiais só serão divulgados após o encerramento da votação na Itália, mas as estimativas indicando as tendências são esperadas a partir do final da tarde em vários países.

O Parlamento Europeu planeja publicar seus primeiros resultados por volta das 18h00 GMT (15h00 de Brasília), baseado-se parcialmente nessas estimativas.

As pontuações do Rassemblement National (RN) de Marine Le Pen na França e da Liga de Matteo Salvini na Itália, inimigos declarados dos projetos europeus do presidente francês Emmanuel Macron, estão entre os resultados mais esperados.

Os dois aliados de extrema direita esperam federar uma ampla aliança de partidos nacionalistas, eurocéticos e populistas. Estas forças progrediram em 2014, mas seguiram fragmentados em vários grupos no Parlamento Europeu.

E, enquanto as pesquisas sugerem um novo progresso, este grupo heterogêneo não terá, no entanto, a maioria no Parlamento, onde os analistas esperam um máximo de pouco mais de um terço dos assentos.

- Fragmentação -

No Reino Unido, que abriu a disputa na quinta-feira, espera-se que o partido eurofóbico de Nigel Farage termine à frente, surfando na incapacidade da primeira-ministra Theresa May de se divorciar da UE. A líder conservadora pagou o preço, anunciando na sexta-feira sua renúncia.

Os holandeses, que também votaram na quinta-feira, surpreenderam com, de acordo com uma pesquisa, um crescimento dos trabalhistas (PvdA) liderados por Frans Timmermans, atual número 2 da Comissão.

A Liga do ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, deverá ser um dos grandes vencedores. O líder italiano, impulsionado por seu discurso anti-imigrantes, divulgou no sábado um vídeo no Twitter acompanhado da mensagem "Não à Eurábia".

Quanto ao RN de sua aliada Marine Le Pen, líder da extrema direita francesa, lidera as intenções de voto na França, frente à lista apoiada pelo presidente Emmanuel Macron.

O ENL, o grupo no qual a Liga e o RN colaboram no atual Parlamento, tem 37 membros eleitos, um número que poderia mais que dobrar após a eleição. E no qual Matteo Salvini quer acrescentar membros que estão atualmente em outras formações eurocéticas.

O líder italiano também quer cooperar com o Fidesz, partido do primeiro ministro húngaro Viktor Orban, atualmente suspenso do grupo democrata-cristão do PPE, e cujas intenções para o futuro ainda não estão claras.

Todas essas alianças, no entanto, são dificultadas por diferenças profundas entre esses partidos.

Na Polônia, onde o partido governista Lei e Justiça (PiS), aliado no hemiciclo ao grupo dos soberanistas (CRE, conservadores), brigou com Bruxelas sobre suas controversas reformas da justiça, alguns eleitores estão preocupados com o aumento do sentimento anti-UE no país.

E isso apesar de os poloneses terem colhido muitos benefícios desde que entraram na UE em 2004, e que as pesquisas apontem que 90% deles apoiam a adesão.

"Eu gostaria que não houvesse nacionalismo no Parlamento (europeu) ou pelo menos que não houvesse maioria", disse à AFP Ryszard Dabrowski, um aposentado entrevistado em Varsóvia.

O PPE e os social-democratas (S&D) devem permanecer as duas principais formações do hemiciclo europeu. Mas essas eleições devem marcar o fim de sua capacidade de reunir uma maioria para aprovar textos legislativos.

Os liberais (ALDE) esperam ser inevitáveis, tornando-se a terceira força do Parlamento, em favor de uma aliança com os futuros macronistas eleitos.

Os Verdes também esperam se tornar um interlocutor indispensável nessa paisagem política que promete ser mais fragmentada do que nunca.

Esta recomposição política será crucial para a corrida pelas posições-chave das instituições europeias. Em particular, a do sucessor de Jean-Claude Juncker, membro do PPE, à frente da Comissão Europeia, que terá de obter o apoio de pelo menos 376 dos 751 eurodeputados.

* AFP

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