Sobre a perda de uma grande amizade: "Atentem a quem está perto nesse momento, compartilhando do seu tempo" Arquivo pessoal/Arquivo pessoal

Luana Carolina Marcon Hasselmann e Fernando

Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Escrevo para agradecer por todos os carinhos, atenção e energias que foram transmitidos nestes dias. Escrevo para vocês, para pedir que não fiquem lamentando a morte deste jovem como prematura, especulando as causas e imaginando cenas tristes na cabeça. Escrevo para vocês, para que se atentem a quem está perto nesse momento, compartilhando do seu tempo. Seja na forma que for.

Escrevo para pedir que reflitam sobre como estão cuidando de suas vidas, de seus corpos e saúde mental. Onde estão depositando suas energias. Como estão ministrando, direcionando e dosando o amor, enquanto que ele é infinito.

Escrevo para sugerir que não deixem para depois o que o coração mandar. Que não carreguem rancor. E não se apeguem, principalmente a tolices. Para que sejam sinceros com seus sentimentos. Para que sejam sinceros com as pessoas. E para que não deem explicações quando não desejarem. Para que encontrem o lado positivo de qualquer acontecimento.

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Escrevo para dizer que não se culpem pelo passado, com os olhos do presente. E para que entendam que o futuro é coisa do "quem sabe?!". Que se divirtam com os erros. E que sorriam com facilidade.

Escrevo para dizer que vocês podem e devem assumir as rédeas de suas vidas. Direcionando para o caminho que desejarem. Mas, que jamais terão o controle que creem ter.

Escrevo para pedir que sejam responsáveis. Para que não se esquivem ou depositem as causas nos outros. Para que não subestimem a capacidade e a força destes que os cercam. E que permitam q carreguem seus próprios fardos. Para que não se julguem melhores ou piores que ninguém. Em qualquer aspecto. Para que não se façam de vítimas, para ganhar atenção e nutrir motivos para sofrer.

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Escrevo para que se atentem que as mudanças são contínuas, que nada é igual, que nenhuma historia se repete. Escrevo para dizer que se arrisquem. Que deem a cara a tapa, sem esperar garantias. Que busquem paz e tranquilidade sempre, inclusive nas palavras que propagam e nos pensamentos que alimentam. Que sejam mais tolerantes com suas famílias. Que aceitem que essa convivência lhes foi imposta por razões que desconhecemos e que devemos curar feridas para estarmos plenamente sãos.

Escrevo para sugerir que admirem o simples. E percebam que toda forma de vida por si, já é o tal milagre. Para que analisem que absolutamente nada vai embora daqui. É possível transformar o bruto em líquido, a matéria em pó, o ódio em tapa, o vento em luz, mas tudo continuará por aqui, transitado em algum espaço.

Escrevo para dizer, que em vez de temer a morte, precisamos nos livrar do medo de viver.

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