Sobre o aplicativo Sai Pra Lá: "na primeira olhada, já me espantei com a quantidade de assédios" Simone Feldmann/Agência RBS

Foto: Simone Feldmann / Agência RBS

Você alguma vez já ficou constrangida com uma cantada inesperada? Mexeram contigo porque você usava saia curta? Deu vontade de mandar a pessoa pro espaço, mas ficou com medo? Você não é a única.

Todos os dias várias mulheres passam por assédios em suas relações de trabalho, em casa e na rua, ou conhecemos quem passou por esse momento. Nós crescemos com esse medo. Várias mulheres relataram esses abusos numa campanha nas redes sociais intitulada #PrimeiroAssédio. A prova do ENEM teve como redação a violência contra a mulher. Pelo Brasil, vários veículos de comunicação passaram a se interessar pela questão. Será que o assunto é urgente?

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Inquieta com toda essa euforia, baixei o aplicativo Sai Pra Lá na quarta (04). Na primeira olhada, já me espantei com a quantidade de assédios (sonoros, verbais, físicos e outros) próximo à região onde moro, em Florianópolis. No dia seguinte, pela manhã, fui dar uma olhada e, pasmem, triplicou o número de registros. Dois deles a 500 metros de mim. Na sexta (06), o app quebrou pelo excesso de pessoas utilizando. A motivação de Catharina Doria ao criar o app, com apenas 17 anos, foi o assédio de um homem na rua. Fiquei pensando: e todas as mulheres que não têm acesso e não registram abusos?

Tal euforia tem explicações e denuncia algumas questões que acredito serem importantes para a vida das mulheres. A primeira, é que precisamos de políticas públicas para os casos de violência de gênero. A segunda, é a Educação para desconstruir essa cultura que vê o corpo da mulher como objeto. Não basta acolher os casos, necessitamos mudar nossas estruturas de pensamento para que haja a igualdade de gêneros.

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É a voz aguda das mulheres que ecoa. Manifestações em todo mundo desvelam nosso grito engasgado: é nossa escolha! O direito sobre nosso corpo é sempre nosso, ainda que projetos de leis retrógrados busquem o controle. Escrevo para sensibilizar vocês a repensarem sobre as conquistas dos direitos civis conosco, é pela vida das mulheres. #ÉPelaVidaDasMulheres

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DIÁRIO CATARINENSE
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