Entre discussões de xenofobia sobre quem decide habitar em um novo local e acaba sendo hostilizado pelos "locais", gostaria de abordar a hostilidade gerada por quem vem de fora.

Sou catarinense e me orgulho de minhas raízes. Somos um Estado retalhado em diferentes culturas que somadas fazem do catarinense algo indefinido. Somos gaúchos, alemães, italianos, portugueses, manezinhos, etc. cada qual com sua característica.

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Moro em Balneário Camboriú, uma cidade que naturalmente atrai pessoas de diferentes regiões catarinenses, brasileiras ou mesmo estrangeiras. Atraídas por uma qualidade de vida celebrada em pesquisas, percebo que muitos procuram recomeçar a vida por aqui - mas trazem consigo o preconceito.

Não foram poucas as vezes que ouvi críticas ao nosso estilo de vida. O catarinense dirige mal, dizem alguns. Aqui não há cultura, teatro, música, dizem outros. Críticas ao nosso sotaque peixeiro (ou manezinho, em Floripa), algo tão nosso - e que acho lindo, aí já perdi a conta de quantas vezes ouvi. Uma xenofobia que já ouvi de paulistas, gaúchos, paranaenses, inclusive de catarinenses vindos de outras regiões.

Talvez não sejamos o Estado com as maiores metrópoles, sede de grande conglomerados industriais ou centro político de relevância nacional. Mas receber o desprezo de quem escolheu Santa Catarina com nova moradia é a ilustração perfeita da frase "cuspiu no prato que comeu".

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Há momentos que sinto o preconceito por quem vem de fora, principalmente em períodos de temporada, quando muitos turistas (uma minoria, claro - mas ainda assim ruidosa) acredita que por gastarem no turismo daqui, se sentem como chefes maltratando seus empregado no infeliz modo "estou pagando".

A xenofobia, portanto, é mais perceptível sob os olhares de quem chega. Mas, pra quem recebe, o preconceito também se mostra uma difícil realidade.

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DIÁRIO CATARINENSE
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