"Velho Chico" usa estética sofisticada para narrar trama rural Caiuá Franco/TV Globo/Divulgação

Maria Tereza (Julia Dalavia) e Santo (Renato Góes), de "Velho Chico"

Foto: Caiuá Franco / TV Globo/Divulgação

Duas famílias rivais e um amor impossível como pano de fundo para falar sobre sustentabilidade, agricultura, natureza, trabalho e política. Tudo isso tendo como paisagem um dos principais rios brasileiros, o São Francisco. Eis a trama central de Velho Chico, novela das nove que estreia nesta segunda-feira na RBS TV. A história criada por Benedito Ruy Barbosa retoma as velhas e bem-sucedidas narrativas rurais. É a aposta da Globo para conter a fuga da audiência, que tem torcido o nariz para novelas realistas e urbanas.

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Treze anos depois de Esperança (2003), Benedito volta ao horário nobre e refaz com o diretor Luiz Fernando Carvalho a parceria de sucessos como Renascer (1993), O Rei do Gado (1996) e Meu Pedacinho de Chão (2014). O novo trabalho traz alívio temático e de cenários. As favelas do Rio de Janeiro e São Paulo darão lugar ao sertão nordestino e às plantações de algodão. A estética soturna de A Regra do Jogo sai de cena para a entrada das cores e da qualidade de cinema de Velho Chico.

Com produção acelerada, já que a estreia foi antecipada — o trabalho de Benedito deveria ir ao ar no final do ano e na faixa das 18h, mas a emissora mudou os planos em dezembro —, a novela tem sido vendida como o novo romance das nove. As primeiras imagens liberadas em chamadas da TV e em clipe postado no YouTube oficial da Globo mostram a mudança de perfil que o horário terá.

— O trabalho do Benedito casa muito bem com o do Luiz Fernando Carvalho. O texto do autor mexe profundamente com as emoções, é emocionante e emocionado. Trata de romances, mas não é um amor piegas. É isso que diferencia o Benedito de outros novelistas brasileiros. E, como o Luiz tem outros tempos de direção, primando pelo lirismo, o trabalho deles casa neste sentido de ter um texto emocionante com uma proposta estética diferenciada, muito lúdica e lírica — explica Nilson Xavier, crítico de televisão e autor do Almanaque da Telenovela Brasileira.

Rostos conhecidos do público em outras novelas do autor — que aqui assina o texto com a filha Edmara Barbosa e o neto Bruno Luperi —, como Antonio Fagundes e Marcos Palmeira, vão se mesclar a novos nomes como a jovem Marina Nery. E conta com a volta de Rodrigo Santoro às novelas após mais de uma década.

Para além de um grande elenco e direção, Velho Chico devolve ao público a tradicional fórmula das telenovelas brasileiras: falar de amor sem esquecer dos problemas do país.

— O público cansou da violência exacerbada. Depois do Jornal Nacional, o público quer fugir das notícias ruins. Quem acompanha uma telenovela diariamente tem fôlego para essa violência toda? Creio que não vai ser uma novela amena, pois o Benedito trata de amor mas também discute temas importantes, como as desigualdades e a exploração do homem e da terra — opina Veneza Mayora Ronsini, professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que trabalha com estudos de recepção de telenovelas.

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