As ações anunciadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) nesta segunda-feira para conter a escalada recorde de assassinatos em Florianópolis são tímidas e de pouco impacto imediato. Mais uma vez, a cúpula da segurança decidiu não fazer entrevista coletiva e optou por divulgar as medidas apenas pelos meios oficiais do Estado. Assim, não ficou sujeita a questionamentos nem explicações mais detalhadas da violência que eclode entre facções criminosas.

Nos bastidores do meio policial, há quem entenda que as soluções apresentadas foram genéricas e dificilmente capazes de estancar os homicídios e o aumento dos roubos, realidade não apenas de Florianópolis, mas de Santa Catarina. Por exemplo, o reforço no policiamento, o que já vinha acontecendo e não surtiu efeito esperado.

A parte considerada mais crucial neste momento em que facções ordenam chacina para assumir o controle do tráfico de drogas envolve o sistema prisional. Afinal, os ditos principais líderes do crime organizado catarinense estão trancafiados e apurações policiais nos últimos anos mostraram que, mesmo atrás das grades, eles continuaram a comandar crimes nas ruas.

Além da esperada integração governamental entre a secretaria de Segurança e a da Justiça e Cidadania, que cuida dos presídios, e do monitoramento em cima dos chefes das facções, a sociedade não sabe qual será a nova política de enfrentamento na área que una as duas pastas.

As respostas exigem forte articulação entre servidores que estão na ponta da informação, aqueles que estão fora dos gabinetes, acompanham e monitoram no dia a dia a movimentação de criminosos. Tais grupos, notadamente de órgãos especializados e serviços de inteligência, precisam unificar os discursos e as ações práticas para montar o planejamento em cima da realidade do mundo do crime na Grande Florianópolis.

Por enquanto, não se sabe se a força-tarefa reunirá segurança e sistema prisional nem como será a forma de ação. A polícia sabe quem são os novos líderes do crime? Estão nas ruas ou já presos?

Até agora, apenas tem sido tornado público que a criminalidade sofre aumento em razão de conflitos de facções no tráfico de drogas. Este mesmo motivo escancarou a barbárie em Joinville em um passado recente, ainda não resolvido no Norte e que agora ameaça o sossego da Capital catarinense, já com 66 mortes violentas neste ano. Especialistas afirmam que as ações devem envolver outros mecanismos estaduais de políticas públicas para esse enfrentamento, um plano macro na segurança pública.

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