É urgente a necessidade de rever o pacto federativo do Brasil e dar mais autonomia aos Estados e municípios, trazendo a gestão dos recursos e a tomada das decisões para locais mais próximos aos cidadãos. O centralismo torna a gestão pública lenta e distante e transforma o político local em um pedinte que faz escambo com apoio político em troca de verbas.


Mas é utópico e, talvez, até idiota pensar que, de repente, virá de Brasília a proposta de um sistema em que Estados e municípios teriam mais autonomia política e financeira, já que é justamente o centralismo que torna as vagas do quadro político da capital federal tão desejadas.


O Brasil precisa caminhar na direção da diminuição do centralismo, como fez Santa Catarina em 2003, quando o governo do Estado passou a se fazer presente no interior através de Secretarias de Desenvolvimento Regional.


Desde então, a estratégia da descentralização manteve-se funcionando, com algumas alterações e abaixo de muitas críticas, ora construtivas, ora protocolares, ora políticas, ora mal-intencionadas, ora verdadeiramente preocupadas.


Muitos ainda dizem que a descentralização deve acabar. Talvez não saibam as facilidades que as atuais Agências de Desenvolvimento Regional (ADR) geraram para a administração de municípios do interior, talvez nem saibam onde fica o interior; talvez não enxerguem que há nas ADR’s a possibilidade de pensar e fazer desenvolvimento regional de forma colegiada; talvez não tenham noção de quanto é importante para uma boa gestão ter capilaridade e chegar aonde o povo está de maneira mais ágil e eficiente. Dizem que a máquina pública é grande e ineficiente, mas será que com um sistema operacional desprovido de capilaridade pode-se aumentar a eficiência e diminuir o tamanho da máquina? Eu não creio.


Embora a descentralização catarinense tenha muito a evoluir e inclusive careça de melhorias urgentes, pregar o seu fim é pregar o atraso. Extinguir a descentralização é jogar no lixo uma iniciativa de aproximação do Estado com o cidadão que ainda não foi totalmente venturosa, mas será se for levada a sério.


* Stevan Grützmann Arcari é coordenador da juventude do PMDB na Associação dos Municípios da Região Carbonífera e vive em Urussanga
DIÁRIO CATARINENSE
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