Fatos que revelam o drama vivido pela saúde pública catarinense vêm chamando a atenção e têm sido tema de reportagens pontuais dos veículos da NSC Comunicação nas últimas semanas. Numa primeira impressão, o público até pode ter a sensação de estar diante de notícias repetidas. Mas a verdade é que, infelizmente, está diante do retrato de uma situação alarmante e que vem se agravando cada vez mais.

Por não identificar sinais de melhorias relevantes no curto prazo e com o objetivo de ajudar na construção de soluções, a partir de hoje a NSC Comunicação aprofunda a reflexão sobre o assunto, com reportagens, análises e muitos questionamentos baseados em histórias de quem está há anos na fila de espera por um procedimento na saúde pública.

As justificativas são conhecidas por governo, imprensa e sociedade. E são repetidas pelas autoridades a cada nova crise. Faltam médicos, leitos e materiais básicos. E de fato é um problema complexo, de difícil solução. Por mais que os governantes priorizem o setor para investimentos, o dinheiro parece nunca ser suficiente para atender à demanda.

A dívida é preocupante: são mais de R$ 500 milhões reconhecidos pela Secretaria Estadual da Saúde, a maior parte com fornecedores. Há ainda os custos com remédios para pacientes que ganham o direito de assistência na Justiça, um calo que ganhou o nome de judicialização e que custou R$ 155 milhões aos cofres públicos em 2016.

Mas é preciso questionar se é possível haver eficiência na gestão pública sem um mínimo de continuidade. Nos últimos seis anos, nada menos do que quatro secretários passaram pela pasta da Saúde. E em função do quadro eleitoral do ano que vem, é bastante razoável enxergar no horizonte novas mudanças de nomes.

Os problemas são tantos que o Ministério Público instaurou, nos últimos três anos, mais de 8 mil inquéritos civis e ajuizou pelo menos 4.800 ações civis públicas para adequar o fornecimento de insumos, serviços ou medicamentos. O MP ainda pressionou o Tribunal de Contas para que faça uma auditoria para apurar se os serviços foram efetivamente prestados, como os recursos estão sendo aplicados e se o Estado vem atendendo aos limites legais com o gasto na saúde.

Enquanto o governo não resolve por inteiro o que está sob sua gestão, cabe à sociedade fazer a sua parte. Não deixar de comparecer às consultas agendadas e procurar os hospitais somente em caso de urgência ou emergência fazem diferença, sim. Do contrário, a saúde jamais sairá do vermelho.

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