Com o aumento da procura por novas embarcações, o setor náutico passou a ter condições de se reorganizar, tomando uma série de medidas que tendem a potencializar os resultados a serem obtidos pelos estaleiros de SC, o segundo Estado do país na fabricação de embarcações de passeio.

Mas, para alcançarem o atual estágio, muitos estaleiros precisaram gerenciar seus custos ao máximo, sendo forçados a tomar medidas como reduzir equipes, renegociar preços de insumos e aprimorar processos. Porém, a gestão de custos não seria suficiente, tendo sido indispensável também o aprimoramento das técnicas construtivas e a redefinição de novos produtos.

Assim, muitos deles obtiveram mais competitividade, superando concorrentes mais antigos, de várias regiões e até do Exterior. Esses estaleiros que tomaram decisões e reagiram à crise passaram a ter condições de lutar por novos mercados, reduzindo a dependência com o mercado local.

Agora, passada a tempestade e iniciando o retorno do "mar de almirante", é imprescindível que os empresários do setor se mantenham vigilantes. Uma dessas decisões consiste em avaliar os passivos e agir com a urgência que o caso requer, antes que as dívidas continuem a aumentar pela simples falta de ação.

Prova disso é a eventual perda de oportunidades de parcelamentos especiais de tributos, como o Programa Especial de Regularização Tributária, de tributos federais, cujo prazo de adesão termina nesta sexta-feira, 29. Outro exemplo é a renegociação com fornecedores, haja vista a dificuldade em se encerrar uma relação desse tipo, dada a limitação de interessados em ofertar insumos para o setor náutico.

Assim, é indicado que o ânimo existente no setor não permita que se deixe de prestar atenção aos avanços gerencias que se conquistaram nos últimos anos, os quais foram indispensáveis para a sobrevivência daqueles que perseveraram e agora usufruem de muito mais musculatura para continuar atravessando as "tempestades" do mercado náutico.

*Anderson Nazário é advogado e diretor da Acatmar

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