Dos R$ 9,8 bilhões do orçamento federal recém liberados para gastos pelo Planalto, R$ 3,9 bilhões correspondem a recursos para serem aplicados em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ainda assim, a liberação desses valores até agora contingenciados significa quase nada para um programa que concentra os principais projetos financiados com recursos federais e que acabou se revelando como a principal vítima do ajuste fiscal.

No ano passado, por exemplo, os desembolsos efetivos do Tesouro com o PAC alcançaram R$ 42 bilhões. No ano anterior, haviam atingido R$ 47,2 bilhões. Até junho de 2017, tinham se limitado a R$ 10,3 bilhões, valor muito aquém das necessidades de um país às voltas com uma infraestrutura em processo acelerado de deterioração.

É inevitável que, em tempos de ajuste como o atual, a prioridade do governo federal seja cumprir a meta de déficit primário de R$ 159 bilhões, sacrificando os investimentos. Ainda assim, preocupa que, de 1,6 mil obras que estavam paralisadas em novembro do ano passado, 673 tenham sido retomadas e apenas 198 concluídas. Dos mais de 3 mil quilômetros de rodovias em adequação ou duplicação previstos para o período entre 2015 e 2018, apenas 3,9% foram concluídos.

Quando os recursos oficiais escasseiam ou mesmo somem, a saída é recorrer a alternativas como as concessões. Em algumas áreas, atraentes para o setor privado, esse é um mecanismo capaz de compensar a falta de investimentos oficiais.

O que não pode ocorrer é um país, já com sua infraestrutura deteriorada, continuar por tanto tempo sem investir o mínimo necessário para seguir funcionando. Quando a atividade econômica, finalmente, for retomada, o custo para recuperar o atraso poderá se tornar inviável para os brasileiros.

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