Pode parecer paradoxal, mas o recorde de impopularidade registrado pelo presidente Michel Temer traz alentos – não para seu governo, mas para o país. Há razões objetivas para isso. As mais eloquentes são um sinal de que o povo brasileiro não tolera, em sua maioria, suspeitas sobre seus governantes. É um bom sinal, mas a impopularidade é também uma oportunidade para o atual governo fazer o que tem de ser feito pelo país. O presidente tem a vantagem de não se preocupar com a reeleição – na verdade, uma tentação que desencadeia ações populistas, perdulárias e irresponsáveis com o bem público.

Nessa condição de político francamente impopular e, portanto, sem ter muito o que perder, o presidente teria condições particularmente propícias para fazer com que o país possa voltar a crescer de forma sustentável. É o que ocorreria se pudesse levar adiante, com o máximo de celeridade, um arrojado programa de privatizações e concessões ao setor privado, além de determinar o fechamento de órgãos inúteis. Esse poderia se constituir num duradouro legado de seu mandato-tampão.

As forças que querem manter o patrimônio estatal refém de corporativismos e parasitismos partidários são poderosas. Basta observar a obsessão de governadores e líderes governistas em lutar pela manutenção de empresas como a Chesf e a Cemig – dois notórios feudos para abrigar apaniguados – para se ter uma clara ideia desse poder.

A inflação, os juros e o desemprego em queda são sinais animadores. Mas uma mudança profunda só ocorrerá se o presidente Michel Temer e seus aliados desistirem de conceder benesses que não cabem no orçamento na esperança de colher simpatia popular.

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