Ângela Bastos: "Se o Berbigão do Boca sai bem, o resto sairá também" Leo Munhoz/Diário Catarinense

Foto: Leo Munhoz / Diário Catarinense

O Berbigão e os foliões não se viam há 734 dias. É muito tempo para quem vive uma paixão. A saudade era imensa. De ambos os lados. Gigante, assim como os bonecos em homenagem a personagens do Carnaval de Florianópolis. Por essas coincidências da vida voltou em dois de fevereiro, dia de saudar Janaína, a sereia do mar. E de rezar para Nossa Senhora, já que navegantes somos todos nós. 

Significativo, não? Afinal, o palco é um pedacinho de terra perdido no mar. Assim cantou o poeta Zininho no Rancho de Amor à Ilha. Havia forte expectativa. A volta do Berbigão do Boca é ótima notícia num Carnaval ameaçado no quesito beleza pela falta de dinheiro. Resta a esperança da lenda: se o BeBo sai bem o resto sairá também.

A empolgação parece ter começado no Jornal do Almoço. Estava ainda meio tímido, mas cercado de gente bamba, e boa. Como é bom ver Xexéu sambar. Que colírio essa nova rainha, a Michelle Santos. Ah! Irretocável o maricotão do Maurício Oliveira, amigo que por anos coordenou o festival gastronômico.

Nessa relação bonita com a cidade e foliões dá para se imaginar um diálogo. Não me entendas mal, pois não se trata de briga. Mas confesso que senti certo ciúme nessa tarde calorenta: eu aqui querendo acabar logo o trabalho para te curtir e tu te exibindo na Globo, né? 

Sabemos. É por seres Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade de Florianópolis. "Arrombasse"! Disputas espaço com o Galo da Madrugada e Afoxés da Bahia. Tua volta foi sucesso aqui também. Passaram a tarde falando em ti. Na padaria, na farmácia, no ônibus. Na rádio, no Facebook, no WhatsApp.

Mantiveste proezas. Foste seguido por uma multidão. Aquela formada pelos ricos da rica Ilha, pelos pobres dos morros empobrecidos; pelos brancos bronzeados nas praias e os negros descendentes dos escravos. É mágico ver como consegues unir diferentes bandeiras e com tantas vozes formar um só coro. 

Como diz o teu idealizador Paulo Abraham, o Boca, "dás um banho". Banho mesmo devem ter tomado os foliões depois daquele arrastão pelas ruas históricas. Foi mesmo uma explosão. Era muito tesão recolhido nesses 734 dias em que Berbigão e os foliões ficaram longe.

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