Paulo Henrique Hemm, comandante-geral da PMSC: "Precisamos mudar" Salmo Duarte/Agencia RBS

Paulo Henrique Hemm, comandante-geral da Polícia Militar de Santa Catarina

Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS

Deixo o cargo de comandante-geral da PM após 38 anos de efetivo serviço em prol da segurança das pessoas como entrei, pela porta da frente.

Busquei cumprir minha vocação e persistirei com esperança em cima de uma desesperança: hoje marginais crescem e se proliferam como ratos em esgotos, banalizando e zombando com violência, sem temer leis, códigos e muito menos respeito à vida humana. Temendo tão somente força superior a deles. Sigo na esperança de que a segurança pública seja realmente tratada como merece. Segurança tem pressa com efetividade, não com discursos. Acompanhamos reforma tributária, reforma política, reforma econômica e cadê a reforma criminal?

Vemos surgir no Brasil doutos, especialistas, policiólogos, bruxos, estrelas de brilho duvidoso que sob holofotes e lentes de TVs promovem os mais variados discursos, até mesmo que algema constrange o detido. Por que não perguntar ao cidadão violentado sobre seus sentimentos? Por que não se colocar no lugar do policial que deu a vida para conter o crime? Discursar soluções apenas conhecendo violência pela TV é como oferecer apenas o cardápio para quem está com fome.

A segurança realmente necessita de investimentos, que haja uma política de enfrentamento, que se promova a cultura da prevenção. Mas principalmente que, de fato, ocorra a valorização do policial. E valorização não se faz com equipamentos, mas com respeito e com ações que os fortaleçam, que os respaldem. Se assim não o fizerem, continuarão preocupados em retirar o carrapato do gado e não em impedir que ele nasça.

Falo em nome dos policiais feridos e incapacitados, do policial oprimido por leis hipócritas e injustas, daquele que combate diariamente o crime e preserva a ordem. Que leva tiro, que acolhe, que assiste, que defende. Que vê esvair esforços quando o marginal que cometeu um crime volta ao convívio social no mesmo dia, ou o prende no dia posterior cometendo um novo delito. Mas que mesmo assim não perde o entusiasmo, que é devotado e se dedica até o último alento, disposto a ir às  últimas consequências para proteger as pessoas, e se entristece em saber que no ciclo dessa impunidade quem é  penalizado é o cidadão. Ainda há tempo de mudar, e a população clama por mudanças.

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