Ângela Bastos: tem que meter a colher, sim Diogo Sallaberry/Agencia RBS

Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS

Das muitas coisas que ouvi quando entrevistava para a reportagem multimídia "Sozinhas – a história de mulheres que sofrem violência no campo", publicada em julho de 2017 nos veículos da NSC Comunicação, teve algo que me surpreendeu pela força das palavras: diferente do que diz o ditado popular, em briga de marido e mulher tem que meter a colher. Seja escola, vizinhos, igreja. 

O tema deve permear todas as camadas da sociedade, e tem no meio escolar um espaço ideal por lidar com crianças e adolescentes que no futuro estarão formando novas famílias. A observação é da pedagoga Noeli Gemelli Reali, professora da Universidade Fronteira Sul, em Chapecó, no Oeste do Estado. Para ela, o silêncio das pessoas diante da violência protege o agressor que, na maioria das vezes, intensifica as agressões e chega ao extremo de tirar a vida das mulheres. Via de regra movido por ciúmes e ou por não aceitar o fim de um relacionamento já arruinado. 

O que a educadora defende não se limita apenas a iniciativa de denunciar. Embora acionar serviços de proteção, como o disque 180, seja fundamental. Assim como exigir respostas efetivas da polícia na investigação e junção de provas capazes de responsabilizar o criminoso. Tanto quanto requerer a aplicação das medidas protetivas. 

O que Noeli propõe é que o assunto seja falado na sala de aula, na associação dos moradores, nas missas, nos cultos, nos rituais. Sugere que o professor não deixe passar a oportunidade de dizer para os meninos que eles podem – e devem – cuidar das irmãs, mas que essas não são propriedades deles. 

Assim como a reunião do condomínio deva abrir espaço para a troca de material sobre redes de proteção às vitimas. Da mesma forma, padres e pastores devem lincar à liturgia do dia com o cotidiano das pessoas. Possível que somente assim, ou depois disso, a vida das mulheres não seja interrompida pelo simples fato de terem nascido mulheres. 

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